Após denúncia, frentes antecipam atos contra Bolsonaro para 3 de julho
Suspeitas de corrupção em contrato de vacina indiana com o governo federal mudaram a conjuntura dos protestos
atualizado
Compartilhar notícia

A Frente Fora Bolsonaro decidiu realizar novas manifestações contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a favor de vacinas contra a Covid-19 em 3 de julho.
O novo ato foi definido durante reunião na tarde deste sábado (26/6) e foi motivada pelas denúncias de corrupção no contrato da Covaxin (leia mais abaixo). O encontro foi agendado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que encabeçam a campanha e reúnem centenas de entidades do chamado campo progressista.
As manifestações marcadas para 24 de julho estão mantidas. O ato será nacional. As manifestações da próxima semana também estão previstas em todos os estados do país, e agora acompanhadas do slogan “Bolsonaro vai cair”.
Não tem como segurar. O Brasil não vai deixar o Genocídio levar mais meio milhão de Brasileiros! #BolsonaroVaiCair e 3 de Julho, atos em todas as cidades. Dia 24, ato nacional. pic.twitter.com/6xRbNpXxAR
— forabolsonaronacional (@forabolsonarona) June 26, 2021
Esta será a terceira manifestação nacional contra o governo durante a pandemia de coronavírus, que já vitimou mais de 512 mil brasileiros.
Nas últimas duas manifestações, todos os estados do país e o Distrito Federal reuniram milhares de brasileiros que foram às ruas a favor de mais vacinas, de auxílio emergencial de R$ 600 e do impeachment de Bolsonaro.
Covaxin
De acordo com documentos do Tribunal de Contas da União (TCU), a vacina indiana Covaxin foi a mais cara negociada pelo governo federal, custando R$ 80,70 a unidade. O valor é quatro vezes maior que o da vacina da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a AstraZeneca, por exemplo.
A CPI da Covid investiga por que o governo agilizou os trâmites na compra da vacina indiana. Segundo um levantamento do TCU, o Ministério da Saúde levou 97 dias para fechar o contrato da Covaxin, enquanto demorou 330 dias para ter um acordo com a Pfizer.
Além disso, o contrato entre o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos para compra da Covaxin foi o único acordo do governo que teve um intermediário sem vínculo com a indústria de vacinas – o que foge do padrão das negociações e contratos de outros imunizantes.
O Ministério da Saúde firmou um contrato de R$ 1,6 bilhão para a compra de 20 milhões de doses. O valor ainda não foi pago, mas está empenhado (reservado para desembolso), e as doses não foram importadas para o Brasil.
O presidente Jair Bolsonaro foi alertado sobre as supostas irregularidades. Durante sessão da CPI na noite dessa sexta-feira (25/6), o nome do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR) foi citado em depoimento do deputado Luís Miranda (DEM-DF).
Segundo Miranda, Barros foi mencionado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como o “dono do rolo” no processo de negociação da Covaxin.