Após críticas, lojas do Extra deixam de entregar bandeja vazia de carne

Mercados no Jardim Ângela e Cambuci, bairros de São Paulo, suspenderam prática que gerou críticas e aviso do Procon de que rede será multada

atualizado 20/10/2021 9:26

Reprodução/Facebook

São Paulo – Depois das críticas recebidas nas redes sociais por vender bandejas de carne vazias, a rede de hipermercados Extra interrompeu a prática nas unidades nos bairros Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo, e no Cambuci, na região central da capital paulista. As lojas estavam entregando as bandejas vazias aos clientes até que o pagamento fosse realizado no caixa.

Devido a prática, o Procon-SP informou que aplicaria uma multa à empresa. Nessa terça-feira (19/10), o G1 verificou que os clientes voltaram a receber a carne diretamente no açougue dos estabelecimentos.

O Extra voltou a dizer que o método não “não faz parte de sua política de atendimento” e que se trata de “uma falha de procedimento”. Segundo a nota,  a rede “tomou providências para que a prática fosse imediatamente descontinuada”.

 

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O caso veio à tona depois que a educadora Fabiana Ivo relatou no Facebook, no dia 14/10, que recebeu uma bandeja de carne vazia no estabelecimento do bairro periférico da zona sul de São Paulo. Ela contou que foi informada que receberia o produto completo apenas após o pagamento no caixa.

A mulher contou que chegou a questionar um funcionário do mercado e que ele teria dito que a medida foi tomada para “evitar roubo”. A educadora disse que, ao ouvir a resposta, teve uma “sensação horrível”.

“Isso é uma afronta a toda a população das quebradas, duvido que o mesmo aconteça no Extra do Morumbi… Raiva resumiu meu dia”, escreveu.

O relato ocorre em meio à alta no preço da carne bovina e também de frango e porco, o que faz com que muitas pessoas deixem esses alimentos fora da lista de compras.

Multa

O diretor executivo do Procon-SP, Fernando Capez, afirmou nesta terça-feira (19/10) que o órgão de proteção ao consumidor vai multar supermercado Extra do Jardim Ângela, por discriminação. A multa pode chegar a R$ 10.981.000 dependendo da gravidade da infração e da condição econômica do estabelecimento.

“Será multado por ter adotado um critério discriminatório, submetendo o consumidor a embaraços e a vexame e sobretudo por adotar critério diferenciado em razão do bairro e da região”, explicou o diretor executivo do Procon-SP, Fernando Capez.

O diretor executivo do Procon-SP também rebateu que a prática seja justificada para evitar furtos. “Com o argumento de segurança, o estabelecimento não pode constranger o consumidor nem submetê-lo a qualquer tipo de vexame”, disse o representante do órgão de proteção ao consumidor.

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