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Brasil

Após carta de Flávio, Marinho diz esperar que Trump não interfira no Brasil

Líder da oposição falou nesta quarta, no Senado, sobre o apelo à comunidade internacional feito por Flávio após derrota eleitoral para Lula

28/10/2026 19:55
Luis Nova/ Especial Metrópoles @LuisGustavoNova
Senador Rogério Marinho

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou nesta quarta-feira (28/10) que espera que os Estados Unidos não interfiram nos assuntos internos do Brasil.

A declaração foi dada ao comentar a carta em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez um apelo à comunidade internacional após a derrota nas eleições presidenciais.

“Ele [Trump] tem todo o direito de opinar sobre política externa, como o Brasil tem direito de opinar sobre política externa de qualquer outro país. Ele tem direito de opinar sobre eleições, mas eu espero, de fato, que não haja nenhuma intervenção no processo interno do Brasil”, disse Marinho, que coordenou a campanha presidencial de Flávio.

Na carta, divulgada nesta quarta, Flávio pediu que a comunidade internacional não “normalize” o que chama de perseguição política no Brasil contra ele.

“À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal”, afirmou.

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No documento, Flávio também agradeceu a Trump e ao governo norte-americano pelo acolhimento e afirmou que pretende comandar a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir dos Estados Unidos.

O senador chegou ao território norte-americano nesta quarta-feira, após deixar o Brasil e passar pela Argentina. Uma autoridade da Casa Branca informou que o governo dos Estados Unidos concederá vistos a Flávio e família.

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Carta de Flávio Bolsonaro

O documento foi compartilhado inicialmente por aliados do senador, entre eles o influenciador Paulo Figueiredo. Na primeira versão, Flávio se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil“, apesar da derrota para Lula no segundo turno das eleições.

“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, afirmou na abertura da carta.

A primeira versão também trazia um brasão antigo da República, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, com a palavra Brasil escrita com “z”. Após a repercussão, aliados distribuíram outra versão com o brasão oficial da República Federativa do Brasil.

Flávio também publicou o documento em seu perfil na rede social X, desta vez sem o brasão, mas manteve a afirmação de que seria o presidente eleito. Posteriormente, apagou a publicação e divulgou uma nova versão, na qual passou a se apresentar como “líder do Brasil”.

Na carta, o senador acusa, sem apresentar provas, a Justiça Eleitoral de fraude no segundo turno das eleições presidenciais.

Ele atribui a suposta irregularidade à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender a votação até as 19h em seções eleitorais que ainda estavam em funcionamento às 17h.

Flávio foi derrotado por Lula no segundo turno de domingo (25/10), por uma diferença de 4.430.191 votos. O petista venceu com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. O senador recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%.

O resultado foi reconhecido pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na ocasião, o magistrado reconheceu a reeleição de Lula e parabenizou os candidatos pela participação na disputa.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também reconheceu o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral, apesar de cobrar esclarecimentos sobre possíveis irregularidades relacionadas ao uso da máquina pública durante a campanha.

O TSE informou que 34.393 votos foram registrados depois das 17h em todo o país no segundo turno. O número é inferior a 1% da diferença de mais de 4,4 milhões de votos entre Lula e Flávio.

A prorrogação da votação foi autorizada por Zanin depois que as duas candidaturas à Presidência relataram dificuldades no transporte de eleitores no dia da eleição.