Após alta da dengue, governo adianta campanha de combate em dois meses

De janeiro até 24 de agosto, foram registrados 1,4 milhão de casos, seis vezes mais do que no mesmo período do ano passado

Rafael Carvalho/Governo de TransiçãoRafael Carvalho/Governo de Transição

atualizado 12/09/2019 11:59

O Ministério da Saúde lançou nesta quinta-feira (12/09/2019) a campanha nacional de combate as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. As medidas foram anunciadas dois meses antes devido ao alto número de casos e de mortes por dengue.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, convocou a população para combater o Aedes aegypti. A campanha foi adiantada para setembro. Normalmente, o combate começa em novembro. Mandetta ressaltou a produção científica brasileira para o controle das doenças, mas ressaltou que o principal meio de se evitar o adoecimento é impedir a proliferação do mosquito, ou seja, não deixar água parada.

“Dengue é uma questão de atitude. O plano de voo do mosquito é de 50 metros. Ele fica sempre por perto da casa, do trabalho. O inimigo dorme ao seu lado. Por isso é importante não deixar água parada”, ressaltou o ministro.

Mandetta pediu que os gestores locais, como governadores, prefeitos e secretários de Saúde, também adiantem as medidas de controle. “Redobrem, tripliquem suas ações para minimizar, controlar os casos de dengue”, concluiu.

Apesar da alta das doenças, o governo nega a falta de recursos para o combate. Segundo o Ministério da Saúde, as ações de combate são ininterruptas. Cálculos da pasta mostram que a verba para o controle passou de R$ 924,1 milhões, em 2010, para R$ 1,9 bilhão, no ano passado.

Entre as medidas anunciadas pelo governo está o apoio técnico aos estados e municípios, a oferta de insumos para o combate, como veneno, e capacitações para agentes de saúde.

O governo intensificou o uso do Wolbachia, que é um mosquito contaminado com uma bactéria que deixa o inseto estéril. Capitais como Recife, Campo Grande e Manaus já estão com o projeto em curso. Somente em 2019, o projeto custou R$ 21,7 milhões.

Mortes em alta
De janeiro até 24 de agosto, foram registrados 1,4 milhão de casos, seis vezes mais do que no mesmo período do ano passado (205.791). Pelo menos 14 estados estão em situação de epidemia. Apenas Amazonas e Amapá apresentaram redução em relação a 2018.

Zika e chikungunya, também doenças transmitidas pela picada do mosquito, seguiram a mesma tendência. De acordo com Ministério da Saúde, casos de chikungunya subiram 44% no período, passando de 76.742 e para 110.627. A infecção por Zika, por sua vez, passou de 6.669 para 9.813 no mesmo intervalo.

A explosão de casos foi acompanhada pela elevação expressiva de mortes. Somadas, as três doenças provocaram 650 óbitos (591 por dengue, 57 por chikungunya e dois por zika). É como se 2,7 pessoas morressem por dia em decorrência das infecções.

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