Após 3 dias, greve de rodoviários é suspensa no Rio de Janeiro
Com a suspensão, motoristas retomam o trabalho nesta quinta-feira (2/7). Contudo, sindicato informou que permanece "em estado de greve"

Após decisão tomada em assembleia nessa quarta-feira (1º/7), os rodoviários suspenderam a greve depois de três dias, no Rio de Janeiro. Com isso, os motoristas de ônibus retomam o trabalho normalmente nesta quinta-feira (2/7). Contudo, o sindicato da categoria informou que segue em “estado de greve”.
Pesou na decisão dos trabalhadores a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que determinou na quarta-feira que 80% da frota de ônibus circulasse durante a greve, aumentando o percentual anteriormente fixado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), de 50%.

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Ver todasO município do Rio tem cerca de 3,6 mil coletivos, e 80% desse contingente equivale a 2.880 carros. Às 7h, o Rio Ônibus, sindicato que representa as viações, informou que 1.650 veículos estavam rodando, ou seja, nem metade da frota.
Outro fator considerado foi o resultado da audiência de conciliação realizada nesta quarta. Durante a reunião, o TRT e o Ministério Público do Trabalho (MPT) pediram que o sindicato suspendesse a greve até a próxima rodada de negociações, marcada para segunda-feira (6/7).
Sem descontos
Para a suspensão da greve, as empresas se comprometeram a não descontar os dias parados nem o vale-refeição dos trabalhadores, além de discutir um reajuste salarial superior aos 4% oferecidos até agora.
No início da assembleia, houve resistência de parte da categoria à proposta de suspender a paralisação. Porém, depois de mais de uma hora de debates, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, colocou a proposta em votação, e a maioria aprovou o fim da greve.
Uma nova interrupção da atividades ainda pode acontecer caso não haja avanço nas negociações. Os trabalhadores exigem: reajuste de 17%; piso salarial de R$ 5 mil para motoristas do BRT e R$ 4 mil para os demais motoristas; vale alimentação de R$ 1 mil; plano de saúde e mudanças na escala de trabalho e jornada de 7 horas e meia.
Os patrões ofereceram 4,39% de reajuste e afirmaram que não haveria contraproposta, mas concordaram em chegar a um valor maior do que o já proposto para suspender a greve.
Garantir serviço
Em nota, a Rio Ônibus informou que “as empresas estão mobilizadas para colocar a frota em operação e garantir o direito de ir e vir dos cariocas” e culpou a categoria pela falta de coletivos nas ruas.
“O cumprimento da determinação da Justiça do Trabalho de colocar um percentual mínimo em operação tem sido dificultado pelo Sindicato dos Rodoviários, que não encaminhou para os motoristas as escalas com a indicação de quais profissionais deveriam trabalhar para atender a frota mínima exigida”, declarou.
“Os consórcios fazem um apelo a todos os motoristas e rodoviários para que compareçam imediatamente às suas garagens e iniciem o trabalho. Lembramos a importância de atender a determinação da Justiça, que exige pelo menos 80% da frota nas ruas. A população carioca não pode ficar mais um dia a pé”, emendou.
Já o sindicato se disse “surpreso” com o pedido de liminar da prefeitura no TST. “Tomamos conhecimento no fim da noite de ontem [terça] da posição do presidente do TST cassando a liminar de regularidade da greve da categoria aqui no Rio de Janeiro”, disse Sebastião José.
“Essa decisão é um prêmio para a direção do Rio Ônibus, que, mesmo sentada na mesa de negociação, vem se negando a apresentar uma proposta em relação às reivindicações do sindicato para atender os trabalhadores. Não nos resta alternativa a não ser cumprir a liminar, até porque lei é para ser cumprida e não discutida”, declarou.
Três dias de paralisação
Os rodoviários deflagraram greve na noite de domingo (28/7) e cruzaram os braços à 0h de segunda-feira (29/7). O movimento começou já sob uma liminar que determinava um mínimo de 50% da frota rodando (cerca de 1.800 coletivos), mas pela manhã nem 1.000 haviam deixado as garagens. De acordo com as viações, 50 veículos foram vandalizados em piquetes.
Na terça-feira, 2º dia do movimento, a frota que estava nas ruas foi aumentada, mas ainda aquém dos 50% que a liminar previa. No fim da manhã, representantes dos patrões e dos trabalhadores sentaram com juízes do TRT-1, mas não houve acordo.
Na porta do tribunal, rodoviários bateram boca com diretores do sindicato após uma votação determinar “estado de greve” — quando a categoria deveria voltar a trabalhar. Uma nova consulta foi feita, e a paralisação foi mantida. Mesmo assim, manifestantes depredaram ao menos 15 ônibus em protesto.


