Após 1ª denúncia contra policiais, o que falta esclarecer sobre a chacina do Jacarezinho

A operação mais letal do estado resultou em 28 mortes na comunidade da zona norte, em 6 maio. Dois agentes já foram denunciados

atualizado 15/10/2021 22:09

Marcas de tiros em parede na favela do JacarezinhoFoto: Aline Massuca/Metrópoles

Rio de Janeiro – O Ministério Público está no caminho para a apresentação de duas novas denúncias sobre a operação da Polícia Civil na comunidade do Jacarezinho, na zona norte, que resultou em 28 mortes no dia 6 de maio e é considerada a mais letal da história do estado. Uma delas envolve mais dois agentes e a outra, um criminoso acusado pelo assassinato do policial civil André Frias durante a ação.

Para encerrar o inquérito relativo aos policiais, os promotores aguardam laudos de roupas das vítimas feitas na Superintendência de Polícia Técnica de São Paulo. Uma das metas é identificar as marcas de pólvora em camisas e bermudas dos mortos, por exemplo, para saber se os tiros foram a curta distância.

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O inquérito do policial civil André Frias também caminha para um desfecho: “Temos a mesma identificação do responsável que consta no inquérito da Polícia Civil, mas ainda estamos analisando o caso”, afirmou o chefe da força-tarefa, André Cardoso, na coletiva de imprensa de sexta-feira (15/10), na sede do órgão, no Centro. Ao todo, estão sendo investigados 13 locais de crimes.

Na sexta-feira (15/10), os promotores anunciaram a apresentação da primeira denúncia no 2º Tribunal do Júri, que ainda está sob análise pela Justiça.

Na ação à qual o Metrópoles teve acesso, os promotores apontam que o policial Douglas de Lucena Peixoto Siqueira, 45 anos, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), é apontado como o autor do disparo contra o suspeito Omar Pereira Silva e responde por homicídio doloso e fraude processual. Ele e o agente Anderson Silveira Pereira e Siqueira teriam contado com a ajuda de terceiros para forjar o encontro de uma granada no local do crime.

Siqueira, também lotado na Core, responde apenas pelo crime de fraude processual. Omar, de acordo com a investigação independente da força-tarefa, foi morto por um tiro dentro de uma casa da comunidade na Travessa São Manuel. Segundo a denúncia, o crime foi praticado quando a vítima estava encurralada em um dormitório infantil, desarmada e baleada no pé.

Trabalho de investigação independente do MP

Vídeos, laudos e confronto de versões entre 44 testemunhas e 24 policiais que atiraram durante a ação são os maiores acervos da Força-Tarefa para avaliar se os casos foram de legítima defesa ou execução.

“Batemos em todas as portas, quem quis falar sentou na nossa cadeira. Agora, às vezes, as pessoas ingressam no crime, depois morrem e a família fica exausta. Outra coisa que chama a atenção é o número baixo de apreensões de celulares. Os parentes falam que se comunicavam com as vítimas o tempo todo”, enfatiza o promotor Mateus Pianud.

A operação

Mais de 250 policiais participaram da ação. Os agentes buscavam investigar o aliciamento de crianças e adolescentes para integrar a facção que domina a comunidade, explorando os menores para práticas como o tráfico de drogas, roubo de cargas, roubos a transeuntes, homicídios e sequestros de trens da Supervia.

A polícia trata a operação como regular. Os promotores pediram à Justiça que, no caso de Omar, a Delegacia de Homicídios da Capital apresente o inquérito concluído ou não no prazo de 24 horas.

Procurada, a Polícia Civil esclareceu que só irá se manifestar no mérito após análise de todos os depoimentos e a chegada dos laudos periciais.

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