Ao sair da prisão em Curitiba, Lula deixou roupas e fotos na cela

O petista não carregou nada da carceragem da PF em Curitiba. Os pertences devem ser entregues nesta semana a assessores

DENIS FERREIRA NETTO/ESTADÃO CONTEÚDODENIS FERREIRA NETTO/ESTADÃO CONTEÚDO

atualizado 10/11/2019 14:05

Durante 580 dias, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viveu em um quarto de 15 m² na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Ao deixar o local improvisado, o petista não carregou nada. Roupas e fotos nas paredes ficaram para trás. Os pertences devem ser entregues nesta semana a assessores.

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo publicada neste domingo (10/11/2019), o ex-presidente petista não fez malas, deixou roupas “pelos cantos” e fotos da família e da namorada, Rosângela da Silva, a Janja.  Segundo estimativa da Polícia Federal, a manutenção de Lula na sua superintendência custou cerca de R$ 5,7 milhões.

Antes de ser ocupada por Lula, a cela improvisada era local de descanso dos policiais em viagem ao Paraná. Acabou adaptado para se enquadrar às características de uma sala de Estado maior, benefício concedido pelo ex-juiz Sergio Moro em respeito ao fato de Lula ter sido presidente.

Sua prisão aconteceu após condenação em 2ª instância por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex no Guarujá. Segundo a Lava Jato, o imóvel seria dado a ele como pagamento de propina por contratos da OAS com a Petrobras.

A cela em que Lula vivia tem TV, rádio e uma esteira ergométrica. O ex-presidente fazia caminhadas no aparelho e se exercitava com fitas elásticas, para ativar a musculatura dos braços e pernas.

A televisão era o maior passatempo. Via noticiário, assistia a séries e filmes levados por seus advogados em um pen-drive e analisava, inclusive, os programas religiosos, por considerar que padres e pastores são atores políticos que ganharam importância maior neste momento do país.

Adaptar um lugar só para Lula, num local afastado dos outros presos, resultou em isolamento. Ele passava cerca de 22 horas por dia sozinho (recebia visitas de uma hora de seus advogados na parte da manhã e outra à tarde). Nos finais de semana não via ninguém além dos carcereiros.

Por isso, a pessoa com quem o ex-presidente mais teve contato na prisão foi o agente federal Jorge Chastalo Filho, chefe dos agentes da Polícia Federal paranaense. Era ele quem abria a cela do ex-presidente às 8h e fechava às 17h.

Quando Lula chegou à prisão, em 7 de abril do ano passado, foi Chastalo quem o levou até sua cela. Na sexta-feira (08/11/2019), foi o policial que deu a notícia de que o petista estaria livre. “Alvará assinado”, disse o agente. Lula sorriu. Coube a Chastalo escoltar Lula pelos quatro andares de escada de incêndio até a saída do prédio.

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