Anvisa analisa vídeos de pessoas “bebendo” Ypê e pode adotar medidas
Ministro da Saúde classificou vídeos que mostram pessoas consumindo produtos da marca Ypê como “irresponsáveis”
atualizado
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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, voltou a comentar, nesta segunda-feira (11/5), os vídeos que mostram supostos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) consumindo produtos da marca Ypê. O ministro afirmou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pode tomar medidas diante da propagação de desinformação.
“A Anvisa recebeu esses vídeos e está analisando, cada um deles, os seus meios jurídicos, de que medidas pode tomar em relação a esses vídeos. Eu estou aqui, enquanto ministro da Saúde, reforçando a irresponsabilidade desses vídeos”, afirmou Padilha.
A mobilização nas redes sociais teve início após o recolhimento e a suspensão de lotes de produtos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo o ministro, as gravações são “irresponsáveis” e os autores “esquecem que crianças assistem esses vídeos”.
“Nós estamos falando de crianças que assistem às pessoas tomando detergente em frasco de detergente, pelo menos passando a ideia que estão tomando detergente em frasco de detergente, passando detergente no corpo, querendo atacar e deslegitimar o papel de uma agência reguladora como a Anvisa, querendo insinuar que a atitude dos diretores da Anvisa tem a ver com financiamento”, disse o ministro.
O ministro também lamentou que atuação da Anvisa tenha virado “uma disputa entre esquerda e direita”.
“Uma parte da extrema direita que está tendo uma atitude irresponsável agora por conta de uma decisão inicial da Anvisa em relação à circulação de um detergente, fazendo vídeo irresponsável, bebendo detergente, acho que eles esquecem que crianças assistem esses vídeos, que pessoas assistem esses vídeos e tentam transformar […] o fato de ter sido encontrado uma bactéria no detergente, uma disputa entre esquerda e direita”, afirmou Padilha a jornalistas no Palácio do Planalto.
“Eu quero reafirmar que a Anvisa não tem lado partidário, o único lado que a Anvisa tem é o da saúde das famílias brasileiras”, completou o ministro.
O titular do Ministério da Saúde destacou ainda que a ação da agência contou com a participação da Vigilância Estadual Sanitária de São Paulo, governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) — aliado de Bolsonaro —, além de técnicos da Vigilância Municipal da Prefeitura de Amparo (SP), que “não foram indicados pelo presidente Lula, obviamente”.
Na semana passada, inspeções da Anvisa na fábrica da Ypê, em Amparo (SP), identificaram falhas nos controles de qualidade e risco de contaminação microbiológica em produtos com numeração final 1. A medida atingiu lotes de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes produzidos pela Química Amparo.
Para bolsonaristas, o recolhimento e a suspensão dos produtos estariam relacionados ao histórico de doações feitas pelos donos da empresa à campanha de Bolsonaro em 2022. A mobilização em defesa da marca contou com apoio público da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Mais cedo, Padilha havia reforçado que o diretor do órgão, Daniel Meirelles, indicado à agência durante o governo de Bolsonaro, é responsável pelo setor que suspendeu os produtos. “Foi assessor e secretário-executivo do ministro do governo Bolsonaro e está na Anvisa cumprindo o cargo e tendo a responsabilidade de cumprir papel técnico.”
