Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube

Apuração pelo Brasil

Eleições 2026Brasil

Antra processa Pavanato e cobra R$ 500 mil por "transfobia recreativa"

Em vídeo ao lado de Eduarda Campopiano, Pavanato usa uma peruca e imita uma mulher trans

26/10/2026 13:11, atualizado 26/10/2026 13:16
Reprodução/Redes sociais
Antra processa Pavanato por vídeo eleitoral com peruca contra pessoas trans

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) afirmou que ingressou com uma ação civil pública na Justiça de São Paulo, e apresentou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF), contra o deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP), após a divulgação de um vídeo de campanha eleitoral sobre mulheres trans.

O vídeo é protagonizado por Pavanato, que usa uma peruca, e Eduarda Campopiano, deputada estadual eleita (PL-SP). Eles encenam o seguinte diálogo:

Campopiano: “Eu sou uma mulher.”

Pavanato: “Eu posso ser mulher.”

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Campopiano: “Eu uso o banheiro feminino.”

Pavanato: “E eu também posso usar o banheiro feminino.”

Campopiano: “Eu não tenho cota na universidade.”

Pavanato: “Eu tenho cota trans na universidade.”

Campopiano: “Eu tenho útero.”

Pavanato: “Eu não tenho útero.”

Ambos: “Mas nós duas somos mulheres…”

Campopiano: “…perante a lei.”

Pavanato: “Eu não aguento mais essa palhaçada. Homem é homem e mulher é…”

A Antra pede à Justiça a retirada do vídeo, retratação pública, proibição de novas publicações semelhantes e indenização de R$ 500 mil por danos morais coletivos (que, se concedidos, deverão ser destinados a um fundo público de reparação de direitos coletivos). Ao MPF, solicita a apuração das possíveis responsabilidades cíveis e criminais.

Segundo a entidade, Pavanato usa a peruca para representar de forma caricata uma mulher trans, “reforçando estereótipos e transformando nossa existência em motivo de deboche para conquistar engajamento e votos. […] A chamada transfobia recreativa transforma a discriminação em piada, mas o humor não pode servir de justificativa para a reprodução do preconceito”, declarrou.

De acordo com afirmou Bruna Benevides, presidenta da Antra: “Não podemos permitir que quem capitaliza em cima do ódio e da transfobia continue obtendo lucro, visibilidade e ganhos políticos às custas da nossa existência. A liberdade de expressão não pode servir de escudo para práticas que reforçam a desumanização de uma população historicamente marginalizada”.

A reportagem entrou em contato com o deputado eleito e aguarda retorno. O espaço segue aberto.

Ainda neste mês, o deputado foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em 2ª instância ao pagamento de R$ 20 mil em danos morais a uma mulher que teve sua imagem utilizada em um vídeo publicado nas redes sociais do parlamentar em 2025. Ainda cabe recurso.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

A decisão também foi com relação a um vídeo, desta vez feito na Avenida Paulista, centro da capital paulista, quando Pavanato abordou uma mulher e fez a ela perguntas sobre política. Algumas das imagens foram editadas e publicadas nas redes sociais com o título “Como travar uma feminista”.