Anitta e Felipe Neto prometem pagar multas por desobediência ao TSE

Famosos reagiram à decisão que impôs multa de R$ 50 mil para cada manifestação política no Lollapalooza

atualizado 27/03/2022 17:48

Cantora Anitta posando para foto. Ela usa roupa colorida e olha seriamente para a camera para a câmera - MetrópolesReprodução/Instagram

A pop star Anita e o influenciador digital Felipe Neto disseram, na tarde deste domingo (27/3), nas redes sociais, que vão ajudar artistas a pagarem multas se forem penalizados pela Justiça por causa de manifestações políticas durante o Lollapalooza. O festival chega ao terceiro e último dia, em São Paulo. “Vai cagar”, indignou-se a cantora.

Anitta e Felipe Neto estão no grupo de diversos artistas e políticos que criticaram a decisão do ministro Raul Araújo, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que acatou pedido do PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, para proibir manifestações políticas no festival. Ele impôs multa de R$ 50 mil para cada ato do tipo no festival, que tem sido marcado por críticas ao governo.

Veja o vídeo, abaixo:

“Não existe isso de proibir um artista de expressar publicamente a infelicidade dele perante o governo que está rolando no exato momento. Entendo a questão de fazer campanha política para candidato. Acho que realmente cada um vota em quem quer. Porém proibir a gente de expressar a nossa insatisfação com o governo atual, isso é censura, isso é 1900 e bolinha, que o povo não podia fazer nada”, estrilou Anitta.

A cantora, que subiu ao palco com Miley Cyrus no sábado (26/3) no festival, disse que não quer ver o país retroceder. “A gente não quer voltar para a estaca zero, não, pelo amor de Deus. E eu vou lutar com todas as minhas armas. Ah vai botar multa de não sei quantos, então a gente paga, querido. Digam, aí, os meus amigos que quiserem se manifestar, eu pago a multa de vocês. Ah, vai cagar”, desabafou, no Stories do Instagram.

Mais cedo, Anita já havia ironizado o valor da multa e criticado a decisão, que também foi chamada de “censura” por diversos artistas e políticos. “50 mil? Poxa… menos uma bolsa. FORA BOLSONAROOOOO. Essa lei vale fora do país? Pq meus festivais são só internacionais”, escreveu ela, no Twitter, em resposta a um advogado que publicou a íntegra da decisão que ele classificou como “grave”.

Em sua publicação, Felipe Neto estimulou artistas a não se intimidarem com a perseguição do governo Bolsonaro, que tem sido fortemente criticado durante manifestações políticas no festival.

“Artistas no Lolla, Mtos não podem lidar com a perseguição do governo. Caso sejam perseguidos por se posicionarem, nosso movimento Cala Boca Já Morreu se dispõe a ajudá-los com a defesa. Se alguém for condenado e precisar, eu ajudo a pagar essa multa ilegal. Enfrentem!”, afirmou Felipe Neto.

No sábado (26/3), o ministro Raul Araújo, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acatou pedido do PL, partido de Bolsonaro, para barrar as manifestações políticas, um dia depois de a cantora Pabllo Vittar levantar uma bandeira com a imagem do ex-presidente Lula, durante sua apresentação.

Na decisão, o ministro considerou a manifestação dos artistas como propaganda político-eleitoral. O magistrado proibiu “a realização ou manifestação de propaganda eleitoral ostensiva e extemporânea em favor de qualquer candidato ou partido político por parte dos músicos e grupos musicais que se apresentem no festival”.

O ministro do TSE é o mesmo que negou, na última quarta-feira (23/3), a retirada de outdoors com imagens do presidente Jair Bolsonaro (PL) de avenidas da cidade de Rondonópolis (MT).

Mais lidas
Últimas notícias