Artistas e políticos criticam decisão do TSE sobre festival: “Censura”

Tribunal Superior Eleitoral atendeu a pedido do PL, partido de Bolsonaro, e proibiu manifestações políticas em shows do Lollapalooza

atualizado 27/03/2022 12:38

Reprodução/Twitter

Artistas e políticos usaram as redes sociais neste domingo (27/3) para se posicionar contra a ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de proibir manifestações políticas durante os shows do festival Lollapalooza.

A medida atende a um pedido feito pelo PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, que acionou a Justiça após a cantora Pabllo Vittar levantar uma bandeira com a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante sua apresentação na sexta-feira (25/3).

Na decisão, o ministro considerou a manifestação dos artistas como propaganda político-eleitoral. O magistrado proibiu a realização dos atos sob multa de R$ 50 mil a cada ocorrência.

A medida causou revolta nas redes sociais. Políticos e artistas consideraram a decisão como um ato de censura. A deputada federal e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffman, comparou a situação à ditadura militar brasileira.

“O TSE censura manifestação política de artistas igual ditadura militar proibia músicas. E a democracia? Bolsonaro faz propaganda eleitoral com dinheiro público e nada acontece, diz defender liberdade de expressão e quer calar quem protesta. Quero ver calar o povo.#ForaBolsonaro”, escreveu a parlamentar nas redes sociais.

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos (PSol), chamou o presidente Bolsonaro de “covarde”, e citou as “motociatas” realizadas pelo mandatário.

“Então o miliciano que gasta todo mês milhões de dinheiro público pra fazer campanha de jet ski e passeata de moto quer censurar artistas que declararem apoio a Lula? É covarde demais!”, publicou.

Veja as publicações:

Artistas

A cantora Teresa Cristina usou o perfil no Instagram para se manifestar contra a decisão do TSE. “Como assim não pode ter manifestação política em um festival privado?”, questionou.

O apresentador Luciano Huck também se posicionou contra a medida e comparou a decisão ao Ato Institucional 5 (AI-5), o mais duro da ditadura militar brasileira.

“Num festival de música, quem decide se vaia ou aplaude a opinião de um artista no palco é a plateia e não o TSE. Ou ligaram a máquina do tempo, resgataram o AI-5 e nos levaram pra 1968?”, escreveu Huck.

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