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Enviadas especiais a Curitiba (PR) – A militância do Partido dos Trabalhadores está determinada a manter acampamento na capital curitibana, a cerca de 200m da Superintendência Regional da Polícia Federal, enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva for mantido preso nas instalações da PF. Cerca de 600 pessoas – de acordo com os organizadores – permanecem nas imediações do prédio onde Lula está encarcerado: há ordem judicial proibindo manifestações diante da superintendência. Nesta segunda-feira (9/4), a Executiva Nacional do PT se reúne na cidade para definir os próximos passos da mobilização.

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), afirmou, em entrevista no acampamento na tarde deste domingo (8), que a legenda classifica a prisão como política e não desistirá da candidatura do ex-presidente à Presidência da República. “A mobilização da militância trará Lula de volta para nós e fará dele presidente novamente”, afirmou.

Segundo a parlamentar, os apoiadores em Curitiba também descartaram oferta da prefeitura da capital paranaense para que o acampamento fosse transferido ao Parque Atuba, a cerca de 2km da sede da PF. “Nós não arredaremos o pé daqui e da luta pela liberdade do Lula. Esse é um ato político, uma vigília permanente de solidariedade ao (ex-) presidente” afirmou a parlamentar. Caravanas de todo o país devem chegar até terça-feira (10), elevando o público no local para 5 mil pessoas, de acordo com a expectativa do comando petista.

A transferência foi proposta porque a área atualmente ocupada não agrada o governo local, devido à proximidade com a superintendência da PF, e existe determinação judicial vedando manifestações (pró e contra o ex-presidente) em frente ao prédio. Na noite desta sexta-feira (7), quando Lula desembarcava para iniciar a execução de sua pena de 12 anos e 1 mês de reclusão, a Polícia Militar disparou bombas de gás e balas de borracha para dispersar os apoiadores, que, segundo a corporação, teriam forçado os portões da sede da Polícia Federal.

Houve tumulto e nove pessoas ficaram feridas. Três precisaram ser hospitalizadas. Mas todos já foram liberados. “Não há justificativa alguma para a polícia tratar com violência manifestantes pacíficos. Pedimos a abertura de uma sindicância para apurar o que aconteceu e porque houve truculência com um lado, enquanto o outro (de opositores) inclusive disparou fogos de artifício quando o helicóptero com Lula pousava sem haver qualquer consequência”, disse Gleisi Hoffmann.

Ainda de acordo com a presidente nacional do PT, a PF já teria concordado em abrir investigação sobre o caso, já que a corporação teria disparado a primeira bomba contra os manifestantes. A senadora informou ainda ter conversado com o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann. Ele teria garantido o direito à mobilização dos simpatizantes do ex-presidente e cobraria providências.

Alívio na tensão
O clima ainda é tenso no local, e o acampamento pró-Lula é vigiado de perto por policiais militares: as autoridades de Curitiba montaram um forte esquema de segurança em torno do prédio da Polícia Federal.

Para animar um pouco os ânimos, nesta tarde a cantora Ana Canãs cantou para a militância, à capela, usando apenas um microfone e uma caixa de som. Os senadores Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias, que foram para Curitiba acompanhar a apresentação do líder petista aos agentes federais, sentaram-se ao chão para acompanhar o show da cantora de MPB. A artista se apresentou no meio da multidão (foto em destaque).

“Tomara que o presidente nos ouça lá do prédio da Polícia Federal”, disse Cañas. Ela cantou O Bêbado e O Equilibrista, música eternizada na voz de Elis Regina, enquanto militantes gritavam “Eu sou Lula” e “Lula livre”.

Veja imagens da mobilização dos apoiadores nesta tarde: 

Próximos passos
Lindbergh Farias destacou que a reunião da Executiva do partido nesta segunda-feira definirá as próximas ações da sigla em apoio ao ex-presidente. Local e horário do encontro ainda não foram divulgados.

Segundo Gleisi Hoffmann, a cúpula petista tem recebido manifestações de lideranças internacionais repudiando a prisão de Lula e grupo de governadores estaria planejando visitar o ex-presidente nos próximos dias. Neste domingo, o político recebeu visita de seu advogado Cristiano Zanin Martins – só os defensores podem ter encontro com detentos no fim de semana.

Na saída, Zanin informou rapidamente a imprensa: Lula está “tranquilo e sereno”. Também se disse confiante de que a prisão do ex-presidente pode ser revertida, mas não adiantou as próximas estratégias da defesa.

“Por hora, o presidente está bem e nós vamos continuar com as medidas jurídicas para reverter essa prisão”, resumiu. “Nenhum detalhe agora eu tenho para vocês. O presidente está aqui, entendemos que ele não deveria estar. Acredito numa reversão no Supremo porque ela [a detenção] não é compatível com a nossa legislação”, concluiu Cristiano Zanin.

Lula foi condenado a 12 anos e 1 mês de reclusão, inicialmente em regime fechado, por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP).

 

 

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