Alvo da CPI, presidente do CFM considerou uso da cloroquina contra Covid

Parecer considerou uso da cloroquina e da hidroxicloroquina mesmo ao admitir ineficácia dos remédios no tratamento da doença

atualizado 18/10/2021 11:36

Jair Bolsonaro e o presidente do CFM, Mauro Luiz de Britto RibeiroIsac Nóbrega/PR

Alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Mauro Luiz de Britto Ribeiro (foto em destaque), propôs, em parecer publicado no dia 16 de abril de 2020, considerar o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina, “em condições excepcionais”, para tratamento da doença causada pelo novo coronavírus.

No documento, Ribeiro admitiu que “não existem até o momento estudos clínicos de boa qualidade que comprovem” a eficácia dos medicamentos contra a doença. Ainda assim, no entanto, pediu para considerar o uso dos remédios em pacientes com sintomas leves, importantes ou que recebam cuidados intensivos, incluindo ventilação mecânica. O parecer foi publicado no próprio site do CFM no dia 23 de abril do ano passado.

“O princípio que deve obrigatoriamente nortear o tratamento do paciente portador da Covid-19 deve se basear na autonomia do médico e na valorização da relação médico-paciente”, escreveu o presidente do conselho.

Leia a íntegra do parecer:

CFM cloroquina by Tacio Lorran Silva on Scribd

Em live realizada no dia 7 de maio de 2020, Mauro Luiz Ribeiro disse ter liberado o uso da hidroxicloroquina contra a Covid-19 com “uma decisão fora das nossas normas”.

“Fizemos uma análise grande do que existe na literatura e não tem nenhum trabalho realmente que sustente a hidroxicloroquina como recomendável. No entanto, o Conselho Federal de Medicina liberou o uso. Não recomendou, mas liberou”, afirmou o presidente.

Na mesma transmissão, Ribeiro admitiu que a entidade apoia o Ministério da Saúde e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) porque “hoje nós temos diálogo”.

O Metrópoles procurou o CFM na manhã desta segunda-feira (18/10) para se manifestar sobre o parecer e o que se entende por “decisão fora das nossas normas”, mas a entidade não respondeu oficialmente. O espaço segue aberto.

Ao Uol Notícias, o conselho assegurou, em nota, que os pareceres são discutidos amplamente na entidade, podendo ser aprovados ou não.

“Da mesma forma, não existe a obrigatoriedade de um parecer ou resolução contar como relator com um conselheiro que seja médico da especialidade sobre a qual a norma se refere. Há inúmeros casos na história do CFM onde isso ocorreu. A única exigência é que o relator seja um conselheiro eleito”, prosseguiu.

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