Aliados temem saia-justa entre Lula e Jaques Wagner em evento na Bahia
Governo federal será transferido para Salvador no dia 2 de julho, em comemoração à independência baiana. Lula e Wagner estarão lado a lado?

As revelações sobre a relação do senador Jaques Wagner (PT-BA) com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, prometem mais uma saia-justa para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Explica-se: por força de lei aprovada no Senado, a sede do governo federal será transferida simbolicamente para Salvador no dia 2 de julho, como parte das celebrações em torno da Independência da Bahia.
A lei, aprovada no Senado e relatada pelo próprio Wagner, determina que essa transferência do gabinete presidencial para a Bahia se dê a cada ano. A dúvida entre integrantes do governo federal é se, até lá, Lula terá definido a situação de seu líder de governo. Visto por muitos palacianos como “traidor”, o parlamentar baiano tem hoje uma situação considerada insustentável.
Seja qual for o status de Wagner na ocasião, a torta de climão está no forno. Caso vá para as celebrações baianas, o presidente poderá estar ao lado de um líder demitido ou na companhia de um senador que tem o nome envolvido no maior escândalo financeiro da história brasileira. E isso em pleno ano eleitoral.
“Veja o constrangimento que está se avizinhando: 2 de julho é festa. A Bahia será a capital do Brasil no 2 de julho. Ou seja: o presidente da República vai a Salvador então posar e tirar foto ao lado de Jaques Wagner, e do PT da Bahia, depois desse escândalo inteiro e depois desse gesto desleal de Wagner com ele. A ver”, relatou ao Metrópoles um parlamentar próximo a Lula.
Entrevista indiscreta
A irritação de Lula com Wagner cresceu bastante após a entrevista do senador à Bandnews, na última quinta-feira (18/6), logo após a operação da Polícia Federal que apreendeu US$ 49 mil (estimados em pouco mais de R$ 250 mil na cotação atual) em seu quarto de hotel.
Na ocasião, Wagner expôs que Lula havia ligado para ele e prestou solidariedade. O baiano também afirmou que não pretende deixar a liderança do governo. Jaques Wagner ainda afirmou que continuará no cargo de líder do governo no Senado e que mantém sua pré-candidatura ao Senado nas eleições de 2026: “Espero ser reeleito”.
Segundo fontes palacianas, pelo menos quatro pontos da entrevista de Wagner lhe valeram a pecha de “traidor”. O primeiro deles foi a indiscrição de revelar o telefonema de Lula. O segundo ponto foi insistir na candidatura dele ao Senado e dizer que Lula já esteve em situação muito pior e hoje é presidente da República.
Outra questão é ele ter afirmado que o petista teria tentado tranquilizá-lo ao dizer que a operação da PF foi uma armação para atingi-lo politicamente. E o último ponto foi ele ter dito exatamente que não abre mão da liderança. “Wagner prensou o presidente da República de uma forma muito traiçoeira, muito vil”, ressalta um integrante do alto escalão do governo.
No Palácio do Planalto, ministros e assessores esperam que Wagner tome a iniciativa e deixe o posto de líder do governo, para não contaminar a campanha de Lula à reeleição.
Apartamentos, shows e dinheiro
Líder do governo no Senado Federal, Jaques Wagner esteve entre os principais alvos da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta. A ação investiga suspeitas de fraude, lavagem de dinheiro e esquemas envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
As suspeitas em torno de Wagner surgiram a partir da análise de mensagens extraídas do celular do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, e também alvo da Compliance Zero na quinta.
Os investigadores tentam esclarecer se o senador teria atuado em favor de pautas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional, entre elas uma proposta que ampliava o crédito consignado e outra medida conhecida nos bastidores como “Emenda Master”.
Em contrapartida, a Polícia Federal suspeita de que o parlamentar possa ter recebido vantagens indevidas. Entre os benefícios sob apuração, estão um apartamento, o uso de aeronaves particulares, ingressos para shows e repasses que somariam R$ 3,5 milhões.

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