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Brasil

Aliados do PL "abandonam" Michelle Bolsonaro após briga com Flávio

Aliados do senador no Congresso avaliam que ex-primeira-dama errou ao expor a crise com enteado e tendem a ficar ao lado dele

03/07/2026 04:30
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KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Michelle Bolsonaro - Metrópoles

A crise entre Michelle Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) isolou a ex-primeira-dama entre parlamentares do PL no Congresso Nacional. Além disso, bolsonaristas fora do parlamento também não sinalizaram apoio público a Michelle.

Até o momento, apenas a senadora Damares Alves (PL-DF) se posicionou a favor da ex-primeira-dama e, inclusive, assim como a aliada, também foi ausência em um encontro de Flávio com mulheres conservadoras em Brasília esta semana.

Nessa quinta-feira (2/7), até o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foi a público e manifestou contrariedade com movimentos recentes da ex-primeira-dama envolvidos ao episódio. Ele chegou a definir como erro o fato de Michelle ter compartilhado um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho, no qual ele fala de supostas festas promovidas por Daniel Vorcaro.

Valdemar afirmou que Michelle errou ao divulgar um material, cuja veracidade não está confirmada. Um dos episódios citados é conhecido como “a noite dos astronautas”. Na gravação, Garotinho diz ter tido acesso a vídeos de festas de Vorcaro com mulheres nuas e “homens que defendem a família”.

A declaração de Valdemar ocorreu após a repercussão da publicação feita por Michelle na segunda-feira (29/6). Ela compartilhou um vídeo gravado por Garotinho em 29 de maio, com a seguinte legenda: “A verdade de Jesus vai prevalecer”. O gesto, no entanto, em meio à crise política com o enteado, foi interpretado por aliados como uma indireta ao senador.

Posteriormente, Garotinho negou que o vídeo tivesse relação com Flávio.

Postura criticada

Reservadamente, deputados e senadores da sigla avaliam que Michelle errou ao tornar pública a disputa com o enteado. A maior parte dos congressistas do partido tem relação mais próxima com Flávio, pré-candidato à Presidência, e tende a ficar ao lado dele no imbróglio.

O atrito veio a público na quarta-feira (24/6), quando Michelle publicou vídeos nas redes sociais em que disse ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio durante uma conversa telefônica.

O pano de fundo é a articulação do PL no Ceará. Michelle é contra a aproximação da sigla com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do estado, e defende o apoio a nomes mais ligados ao bolsonarismo, como Eduardo Girão (Novo-CE).

Publicamente, Flávio tentou conter o desgaste ainda na noite de quarta-feira (24/6). Em publicação nas redes sociais, o senador negou ter desrespeitado Michelle e afirmou que jamais trataria dessa forma a esposa do pai.

“Nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”, escreveu Flávio.

O senador também disse que nunca teve intenção de ofender a ex-primeira-dama e pediu desculpas caso ela tenha se sentido atingida.

“Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil”, afirmou.

Sequência de crise

Nos bastidores, porém, a reação de Flávio não encerrou a crise. Sob reserva, um parlamentar importante do PL disse que aliados do senador não entenderam a decisão de Michelle de levar a disputa para as redes sociais.

“Ninguém consegue entender o movimento dela”, afirmou.

No entorno de Flávio, a avaliação é que a reação da ex-primeira-dama foi uma iniciativa própria, e não uma estratégia orientada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo esse parlamentar, aliados não veem Bolsonaro em condições de comandar um movimento desse tipo.

“Ele não tem condições emocionais e nem de saúde pra isso”, disse. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar em sua casa, no condomínio Solar de Brasília, em Brasília, desde 27 de março, quando deixou o hospital após tratamento de saúde.

A medida temporária completou 90 dias em 25 de junho e ainda depende de decisão final do ministro Alexandre de Moraes sobre eventual prorrogação. A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou, na quarta-feira (1º/7), a favor de manter Bolsonaro em casa.

Aliados do PL “abandonam” Michelle Bolsonaro após briga com Flávio - destaque galeria
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou ter desrespeitado Michelle e tentou conter o desgaste dentro do PL após a crise vir a público
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar em Brasília; aliados avaliam que ele não orientou a movimentação de Michelle
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ficou isolada entre parlamentares do partido após tornar pública a crise com Flávio Bolsonaro
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ficou isolada entre parlamentares do partido após tornar pública a crise com Flávio Bolsonaro

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou ter desrespeitado Michelle e tentou conter o desgaste dentro do PL após a crise vir a público
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou ter desrespeitado Michelle e tentou conter o desgaste dentro do PL após a crise vir a público

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar em Brasília; aliados avaliam que ele não orientou a movimentação de Michelle
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpre prisão domiciliar em Brasília; aliados avaliam que ele não orientou a movimentação de Michelle

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Parlamentares se alinham a Flávio

A leitura entre congressistas do PL é que Michelle tem força eleitoral, principalmente entre mulheres conservadoras e evangélicos, mas não construiu a mesma relação com a bancada. Flávio, por outro lado, circula há anos entre deputados, senadores, líderes partidários e dirigentes da legenda.

A defesa mais explícita de Michelle no Congresso partiu da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), aliada próxima da ex-primeira-dama. Depois da publicação dos vídeos contra Flávio, Damares republicou o conteúdo e escreveu: “Coerente! Forte! Corajosa! Verdadeira! Amo você amiga!”.

A senadora também se afastou do movimento organizado por Flávio para tentar reunir mulheres conservadoras em Brasília. Ao chegar ao plenário do Senado, disse que não iria ao encontro e indicou que Michelle também ficaria fora: “Não vou. Acho que a Michelle também não”.

Por ora, aliados de Flávio evitam uma reação pública mais dura. A orientação é não ampliar a crise nem dar mais centralidade à ex-primeira-dama na disputa interna.