Flávio Bolsonaro não reverterá cenário no Nordeste, diz aliado de Lula
Ministro Wellington Dias vê força consolidada de Lula na região e aposta em vantagem decisiva nas eleições de 2026
atualizado
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O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não deve ser capaz de reverter a vantagem histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Nordeste nas eleições de 2026.
Segundo ele, a região seguirá como um dos principais pilares eleitorais do petista. “O Nordeste tem uma justa compreensão do compromisso que o presidente tem com o Brasil todo, mas especialmente com o povo nordestino”, disse o ministro em entrevista ao Metrópoles.
A avaliação ocorre em meio à movimentação de forças políticas de olho na sucessão presidencial. Nos bastidores, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) veem em Flávio um nome competitivo, sobretudo após o encolhimento de outras candidaturas no campo da direita.
Para Dias, no entanto, o crescimento do senador estaria mais associado à concentração de apoio dentro do próprio grupo político do que a uma expansão real de base eleitoral. “O que se percebe é que ele cresceu muito diminuindo outros do próprio campo”, afirmou.
Ele disse, ainda, que ao olhar para Flávio, não consegue enxergar um projeto de governo. “E o que ele vai construir? O que ele vai fazer? Eu olho para o candidato Flávio Bolsonaro e vejo que a gente espreme, espreme e ele só fala que é contra isso, que é contra aquilo, que vai varrer o PT, que vai acabar com isso, vai acabar com aquilo”, criticou.
Papel do Nordeste na reeleição de Lula
Wellington Dias destacou que o Nordeste teve papel decisivo nas últimas vitórias de Lula e deve novamente ser determinante em 2026. Segundo ele, a meta da campanha será garantir uma vantagem expressiva na região para compensar eventuais perdas em outros colégios eleitorais.
“Quando a gente fala de Nordeste, estamos falando de uma diferença de 9, 10, 11 milhões de votos. Isso é muito importante para consolidar uma vitória nacional”, disse.
O ministro também criticou o histórico de adversários políticos em relação à região, citando posicionamentos contrários a obras estruturantes, como a transposição do Rio São Francisco e a Ferrovia Transnordestina. Para ele, esse histórico pesa na percepção do eleitor nordestino.
“A população sabe quem esteve ao lado da região nos momentos mais importantes”, afirmou.
De acordo com ele, políticos como o Flávio sempre trataram o Nordeste como um problema, mas em época de eleição, em medidas eleitoreiras, a região passa a ser uma solução.
“Veja que o próprio Flávio Bolsonaro repetiu agora no Rio Grande do Norte uma frase que eles negavam. Lá atrás era ‘um monte de comedor de bode, era uns paraíba’, era assim que ele, o pai, todo mundo tratava os nordestinos. E agora o Nordeste não é o problema, o Nordeste é a solução”, destacou.
Candidatura de Flávio Bolsonaro
- Aliados avaliam que Flávio tinha o papel de assumir a candidatura no lugar do pai para manter o capital político do grupo e garantir presença competitiva na disputa;
- A eventual substituição ocorreu diante da ilegibilidade de Jair Bolsonaro, o que abriu espaço para um nome com maior viabilidade jurídica e eleitoral;
- Flávio é visto como herdeiro direto do eleitorado bolsonarista, com capacidade de mobilizar a base mais fiel e preservar a identidade do projeto político;
- A estratégia também busca evitar fragmentação de votos entre nomes da direita, concentrando apoio em um candidato já conhecido nacionalmente.
Disputa nacional
O ministro também avaliou que o cenário de 2026 tende a ser menos turbulento do que o de 2022, mas ainda exigirá atenção. Ele citou o ambiente político polarizado e a disputa de narrativas como fatores que continuarão influenciando o eleitorado.
Para Dias, a principal vantagem de Lula está na combinação entre estabilidade política, crescimento econômico e políticas sociais.
“A eleição vai colocar em disputa projetos diferentes de país. De um lado, um modelo de inclusão, crescimento e estabilidade. Do outro, ainda não está claro o que será apresentado”, disse.
Apesar das incertezas, o ministro se disse otimista com a reeleição do presidente. “Sou otimista, mas com os pés no chão. Vai exigir muito trabalho”, afirmou.
Dias confirmou que foi convidado por Lula para integrar a coordenação da campanha à reeleição, com atuação especial no Nordeste. Segundo ele, o trabalho deve ganhar caráter oficial após a convenção partidária.
A ideia, segundo o ministro, é montar uma coordenação ampla, com participação de partidos aliados e lideranças regionais. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, deve assumir a coordenação-geral.
“A minha missão, pelo que entendi, é ajudar na coordenação do Nordeste, uma região que tem grande responsabilidade nas vitórias do presidente Lula”, afirmou.
Ele explicou que pretende conciliar a atuação política com o comando do ministério, participando da campanha fora do horário de expediente. Durante o período oficial, deve se licenciar por meio de férias para atuar de forma mais direta.
Cenário no Piauí
No plano estadual, Wellington Dias demonstrou confiança na manutenção da hegemonia do grupo político aliado a Lula no Piauí. Segundo ele, a base governista chega organizada para as eleições de 2026, com uma aliança ampla que reúne 11 partidos.
O atual governador, Rafael Fonteles (PT), deve disputar a reeleição com apoio consolidado do grupo. Para o Senado, a principal aposta é o nome do senador Marcelo Castro (MDB). A chapa majoritária já está praticamente fechada, com o secretário de Educação, Washington Bandeira (PT), indicado para a vice.
Dias afirmou que a prioridade é ampliar a representação política do grupo, tanto no Congresso quanto na Assembleia Legislativa.
“Hoje temos oito dos dez deputados federais. Queremos chegar a nove. Na Assembleia, temos 20 das 30 vagas e buscamos ampliar esse número”, disse.
Apesar do otimismo, o ministro afirmou que é necessário cautela. “Quando está muito bom, é preciso ter ainda mais cuidado. Nada de salto alto”, afirmou.














