
Alckmin x Gaspar: o papel dos candidatos a vice na busca por votos
Composição de chapas visa aumentar eleitorado e conquistar população indecisa. Em 2026, Lula repetiu parceria e Flávio escolheu deputado

Estratégica para a campanha eleitoral, a escolha dos vices das chapas presidenciais foi construída em 2026 como parte do projeto para atrair mais eleitores. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repetiu a parceria com Geraldo Alckmin (PSB) para acenar ao centro político e ao mercado financeiro. Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro (PL) escolheu Alfredo Gaspar (PL) pelo perfil ligado à segurança pública.
Quem são os vices
- Geraldo Alckmin (PSB) — Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho é médico anestesista e professor universitário. Foi prefeito de Pindamonhangaba (1977-1982), deputado estadual (1983-1987) e deputado federal (1987-1995), sempre por São Paulo. De 2003 a 2006, governou São Paulo. Concorreu à Presidência da República em 2006 e 2018. Em 2022, filiou-se ao PSB e foi eleito vice-presidente da República na chapa de Lula.
- Alfredo Gaspar (PL) — É advogado e ex-promotor de Justiça. Foi secretário de Segurança Pública de Alagoas em 2015, durante o mandato do governador Renan Filho. Atualmente é deputado federal pelo estado. Foi candidato à Prefeitura de Maceió em 2020 pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), mas acabou derrotado no segundo turno por João Henrique Caldas (PSB).
Em 31 de março, durante a primeira reunião ministerial do ano, Alckmin foi confirmado como candidato a vice-presidente pela segunda vez. Em 2022, ele foi o responsável pela chamada “frente ampla” da campanha criada pelo PT para vencer o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL).
Depois de eleito, assumiu também o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Nas funções, foi destaque ao liderar as tratativas com o governo dos Estados Unidos para reverter o tarifaço imposto pela gestão de Donald Trump.
Geraldo Alckmin também foi designado pela equipe de campanha para explorar e contestar uma das principais propostas econômicas de Flávio Bolsonaro na reta final do segundo turno: o corte de quase R$ 200 bilhões do Orçamento federal.
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Ver todasEm vídeos divulgados nas redes sociais, o vice-presidente questiona de onde virá a economia prometida e quais setores poderão ser impactados caso o plano seja implementado.
Alckmin também citou o exemplo da economia da Argentina, governada por Javier Milei, para comparar as propostas econômicas do candidato do PL com as políticas de ajuste fiscal adotadas no país vizinho.
A cientista política Carolina Venuto afirma que os vices têm um papel importante nas campanhas eleitorais e destaca como positiva a aliança entre Lula e Alckmin.
“Depois de décadas como adversários políticos, os dois construíram uma aliança que ajudou a aproximar Lula de setores mais ao centro e da direita, além de transmitir maior previsibilidade ao mercado. Alckmin reúne ampla experiência política, já governou São Paulo e tem interlocução com setores empresariais”, diz.
Vice de Flávio
Em agosto, o deputado federal Alfredo Gaspar foi escolhido para ser candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro na corrida ao Palácio do Planalto. O parlamentar se filiou ao PL em março deste ano.
Ele tem uma carreira ligada ao Ministério Público e à segurança pública, pauta importante para o bolsonarismo e um dos principais temas de debate na campanha eleitoral de 2026.
Antes de escolher Gaspar, Flávio passou por uma crise após brigar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. À época, ele foi aconselhado por aliados a buscar uma mulher para compor a chapa, mas desistiu.
Gaspar foi relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O relatório final do caso, que, entre outras recomendações, solicitou o indiciamento do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi rejeitado.
Para o cientista político André Rosa, Alfredo Gaspar entrou na chapa de Flávio para ampliar o eleitorado bolsonarista na região Nordeste e fortalecer o discurso da segurança pública na campanha.
“Ele já tem uma função um pouco diferente. Primeiro, levar a pauta da segurança pública bolsonarista. É uma pauta que já está sendo muito discutida desde o início de 2025. A escolha dele também visa aumentar a capilaridade do Flávio Bolsonaro na região Nordeste”, ressalta.
Impacto do vice
Para o cientista político Gustavo Ribeiro, o impacto de um vice na decisão do eleitor é limitado. “A maioria das pessoas vota no cabeça de chapa e mal sabe quem é o vice. Em 2022, Alckmin teve mais valor simbólico do que eleitoral”, aponta.
Ele avalia que Alckmin sinalizou ao centro e ao mercado que Lula montava uma frente ampla, mas esse fator não foi determinante para a eleição. “Mantê-lo em 2026 segue a mesma lógica de estabilidade, sem grande ganho em votos”, diz.
Já para André Rosa, tanto o vice de Lula quanto o vice de Flávio têm funções bem diferentes na corrida presidencial.
“Alckmin é uma tentativa de maximizar a captura de eleitores em São Paulo, reunir os empresários da Faria Lima do setor produtivo na campanha do Lula e tentar fortalecer de certa forma o eleitor mais de centro-direita, que é justamente o que fica mais indeciso”, ressalta.








