Alckmin sobre Flávio nos EUA: “Não precisamos de dois contra o Brasil”

Vice-presidente evitou avaliar impacto para relação do Brasil com os EUA, mas criticou atuação da família Bolsonaro no exterior

atualizado

metropoles.com

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Cadu Gomes/VPR
Vice-presidente Geraldo Alckmin visita concessionária da GWM, em Brasília
1 de 1 Vice-presidente Geraldo Alckmin visita concessionária da GWM, em Brasília - Foto: Cadu Gomes/VPR

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) preferiu não avaliar nesta terça-feira (26/5) o impacto para o Brasil de uma eventual reunião entre Donald Trump e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo ele, a visita é um “assunto” que o pré-candidato ao Planalto e provável adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “deve explicar”.

Alckmin afirmou, contudo, que “já tínhamos” um integrante da família Bolsonaro trabalhando contra o Brasil no exterior e que “não precisamos ter dois trabalhando contra”.

“Em relação à visita do pré-candidato aos Estados Unidos, é um assunto que ele deve explicar. Nós já tínhamos um da família trabalhando contra o Brasil. Não precisamos ter dois trabalhando contra, né?”, declarou Alckmin durante visita a uma concessionária da GWM, em Brasília.

Embora não tenha citado nominalmente o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, a declaração é uma referência direta ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Eduardo é apontado como articulador de sanções econômicas impostas pelo governo americano contra produtos e autoridades brasileiras.

As iniciativas atribuídas a Eduardo levaram o ex-parlamentar a virar réu no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a acusação de tentar influenciar, por meio de ações do governo dos Estados Unidos, o andamento de processos envolvendo o pai.

Flávio Bolsonaro embarcou para os Estados Unidos na noite de domingo (24/5) e tenta viabilizar uma agenda com Donald Trump. Eduardo Bolsonaro afirmou que o encontro pode ocorrer na tarde desta terça-feira (26/5), embora a agenda oficial divulgada pela Casa Branca não registre compromisso com o senador.

A viagem ocorre em meio a um esforço da coordenação da campanha de Flávio para redirecionar o foco do noticiário envolvendo o pré-candidato. Nas últimas semanas, o senador passou a enfrentar desgaste político após a divulgação de áudios, mensagens e relatos de um encontro presencial que indicariam proximidade com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso preventivamente.

Reportagens do Intercept Brasil mostraram que Flávio procurou Vorcaro em busca de recursos para financiar uma cinebiografia em homenagem a Jair Bolsonaro. Em uma das conversas reveladas, o senador chega a cobrar parcelas atrasadas do empresário. Dias depois, o Metrópoles revelou que Flávio se reuniu presencialmente com Vorcaro no fim de 2025, quando o banqueiro havia sido solto pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e utilizava tornozeleira eletrônica.

O senador nega qualquer envolvimento com supostas ilegalidades atribuídas a Vorcaro. Segundo Flávio, a relação com o banqueiro se limitou ao financiamento do filme e o encontro presencial teve como objetivo encerrar os problemas financeiros ligados ao projeto.

Apesar da negativa, pesquisas de intenção de voto e levantamentos internos do PL apontaram queda de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial. O cenário tem provocado questionamentos dentro do partido sobre a viabilidade de sua candidatura ao Planalto.

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