Alckmin descarta retaliação do Brasil aos EUA: "Os 2 podem ficar cegos"
Tarifa de 25% imposta pelos EUA ao Brasil entra em vigor nesta quarta-feira (22/7). Alckmin diz que governo seguirá em busca de negociação

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou, nesta terça-feira (21/7), que o governo não pensa em aplicar a Lei da Reciprocidade Comercial como forma de retaliação aos Estados Unidos pela tarifa imposta ao Brasil, que entra em vigor nesta quarta-feira (22/7).
De acordo com ele, a lei poderá ser utilizada no momento adequado, segundo as recomendações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, não será utilizada como um instrumento de retaliação.
“Foi aprovada a Lei da Reciprocidade por unanimidade. A ideia não é retaliação. Olho por olho, pode acontecer de os dois ficarem cegos”, disse ele em entrevista após se reunir com os setores exportadores nesta terça.
Alckmin destacou que o governo deve continuar em busca de negociação com os EUA, além de procurar novos mercados para os setores afetados e estudar medidas de socorro para amortecer os choques causados pelas taxas.
- A Lei da Reciprocidade permite ao Brasil adotar medidas equivalentes contra países que imponham barreiras unilaterais a produtos nacionais.

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Os EUA decidiram, no dia 15 de julho, taxar as exportações brasileiras em 25% após uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais brasileiras.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesApós a conclusão da investigação, o governo brasileiro tentou negociar com representantes americanos. No entanto, o diálogo entre as equipes não resultou em reversão das taxas. O governo do Brasil se pronunciou sobre o assunto e condenou a imposição de tarifas, chamando a medida de desproporcional e inaceitável.
Lista de exceção
Apesar da aplicação das tarifas, os EUA apresentaram uma lista de exceção para produtos que são considerados essenciais para a cadeia de consumo americana, buscando evitar um aumento nos preços internos, como aconteceu no tarifaço anunciado em 2025.
Produtos como café, carne bovina, peixe, terras-raras e laranja ficarão fora do novo tarifaço.
Veja os produtos que serão impactados:
- Produtos industriais e máquinas: maquinário agrícola, equipamentos de mineração, ferramentas de jardinagem e componentes de borracha para veículos.
- Bens de consumo: calçados, vestuário e papel.
- Commodities e alimentos: etanol, açúcar orgânico e molduras de madeira.
- Celulose de dissolução: celulose de dissolução de alta pureza, que foi removida da lista de isenções proposta anteriormente.
- Produtos químicos de uso geral: certas substâncias químicas (como celulose e fosfoaminolipídeos) só estão isentas quando destinadas a aplicações farmacêuticas; o uso dessas mesmas substâncias em outras indústrias será taxado.



