
Ala do PT prega "virada de chave" em campanha com enfoque no dia a dia
Petistas defendem mudança na estratégia de Lula após pesquisas apontarem disputa acirrada com Flávio Bolsonaro

Integrantes do PT defendem uma “virada de chave” na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição, com uma comunicação mais voltada aos problemas do cotidiano e às entregas do governo. A avaliação de petistas ouvidos pelo Metrópoles é de que a estratégia precisa se aproximar de eleitores que não integram a base tradicional do presidente.
A discussão ocorre em um momento de maior competitividade na corrida presidencial. Dentro do PT, a avaliação é de que esse cenário exige uma mudança na forma de apresentar a candidatura. A orientação defendida por integrantes da legenda é que a campanha priorize assuntos concretos e mostre ao eleitor como as ações do governo impactam sua vida.
As críticas à condução da campanha também ficaram públicas no Rio de Janeiro. O prefeito de Maricá e vice-presidente do PT, Washington Quaquá, reclamou da falta de interlocução com a coordenação nacional e defendeu uma aproximação maior com segmentos como evangélicos e eleitores preocupados com segurança.
O movimento, segundo petistas ouvidos pelo Metrópoles, não significa abandonar a defesa das pautas políticas do partido, mas mudar a prioridade da comunicação eleitoral. A aposta é em uma campanha mais conectada ao cotidiano do eleitor e menos concentrada em temas capazes de mobilizar apenas a militância.
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- Petistas defendem uma “virada de chave” na campanha de Lula, com foco no cotidiano e nas entregas do governo;
- Pesquisa Quaest acendeu alerta no PT: Flávio aparece com 42%, contra 40% de Lula no 2º turno, em empate técnico;
- A avaliação interna é de que Lula precisa ampliar o diálogo com eleitores fora da base petista e priorizar temas como segurança e renda;
- Quaquá critica a estratégia atual e cobra maior interlocução com segmentos como evangélicos e eleitores preocupados com segurança.
Pressão por mudança
A cobrança ganhou força diante da preocupação interna com os números das pesquisas eleitorais. O alerta aumentou após a última rodada da Quaest, divulgada na segunda-feira (14/9), mostrar Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno pela primeira vez durante a campanha.
O senador aparece com 42%, contra 40% do presidente. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o cenário é de empate técnico.
No primeiro turno, Lula ainda lidera a pesquisa, com 36% das intenções de voto, ante 31% de Flávio. O resultado, no entanto, também acendeu um sinal de atenção no PT: na rodada anterior, o presidente tinha os mesmos 36%, enquanto o senador aparecia com 29%.
Além da Quaest, levantamentos recentes mostram uma disputa apertada entre Lula e Flávio nas simulações de segundo turno, embora os resultados variem entre os institutos.
Há cenários de empate técnico entre os dois candidatos em levantamentos realizados neste mês.
Para integrantes do partido, os números reforçam a necessidade de alterar a abordagem da campanha. A avaliação é de que Lula precisa falar mais sobre questões que afetam diretamente a população, como segurança pública, emprego, renda, custo de vida e serviços públicos, além de apresentar de forma mais direta os resultados de seu governo.
A ideia é ampliar o diálogo para além do eleitorado já identificado com o petismo. Fontes da legenda avaliam que a campanha deve buscar uma comunicação capaz de alcançar setores mais distantes do presidente e disputar eleitores que ainda não decidiram seu voto.



