Acusado de estar “alinhado” com Prevent, Ministério da Economia negou pedido de lista de visitas ao prédio

O ministério foi acusado de se aliar ao diretor da operadora de saúde para promover o tratamento precoce contra Covid

atualizado

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Roque de Sá/Agência Senado
Bruna Morato_CPI
1 de 1 Bruna Morato_CPI - Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Acusado de alinhar-se com diretores da Prevent Senior e membros do chamado “gabinete paralelo” do governo federal para promover o kit Covid no país, o Ministério da Economia negou o acesso à lista de visitações ao prédio onde funciona a pasta, em Brasília, em agosto deste ano.

A agência de dados Fiquem Sabendo solicitou a lista de visitações de janeiro a julho de 2021 a todos os ministérios do país. Entretanto, a negativa do acesso aos dados veio apenas de dois gabinetes: o da Economia e o de Relações Exteriores.

Na ocasião, a pasta chefiada pelo ministro Paulo Guedes afirmou que precisaria analisar os dados para não infringir a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), e que isso acarretaria um trabalho adicional. A pasta também disse que as informações não estão digitalizadas e seria necessário analisar manualmente mais de 600 imagens para responder ao pedido.

Ao ser contatado, o Ministério da Economia afirmou que os todos os assessores, secretários e demais funcionários negaram ter feitos encontros com membros da Prevent Senior ou da Saúde. A pasta também diz que não houve nenhum compromisso na agenda oficial com membros do gabinete paralelo ou diretores da operadora de saúde.

Sobre a falta de transparência em relação à lista de visitações aos prédios pertencentes ao ministério, a pasta informou que, por possuírem muitos prédios e instalações, não havia a capacidade de realizar o levantamento dos nomes de todos os visitantes.

Questionada sobre visitas que podem não constar nas agendas oficiais dos integrantes do ministério, a pasta afirmou que provavelmente houve um “equivoco” por parte da advogada Bruna Morato.

Já a Prevent Senior declarou, por meio de nota, que “nega e repudia as acusações mentirosas levadas anonimamente à CPI da Covid e à imprensa” e que “se tratam de acusações infundadas, que têm como base mensagens truncadas ou editadas e vazadas à imprensa e serão desmontadas ao longo das investigações”.

Entre os citados como membros do “gabinete paralelo” estão o ex-ministro da Cidadania e deputado federal Osmar Terra, o biólogo e virologista Paolo Zanotto, a médica oncologista Nise Yamaguchi, o ex-assessor da Presidência da República Arthur Weintraub, e o presidente da Associação Médicos Pela Vida, Antônio Jordão. Todos supostamente participavam de um grupo extraoficial que aconselhava o governo em ações de combate à pandemia.

Na terça-feira (28/9), a advogada Bruna Morato, representante de ex-médicos da Prevent Senior, afirmou em seu depoimento na CPI da Covid-19 que a direção da operadora de saúde buscou aproximação com o chamado “gabinete paralelo”, grupo que seria alinhado aos interesses do Ministério da Economia no sentido de não “deixar o país parar”.

“Existia um plano para que as pessoas pudessem sair às ruas sem medo”, afirmou ela, acrescentando que a solução seria a “hidroxicloroquina”.

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Bruna Morato na CPI da Covid-19. A advogada representa ex-médicos da Prevent Senior,
Advogada Bruna Morato, representa ex-médicos da Prevent Senior, na CPI da Covid-19
Advogada Bruna Morato, representa ex-médicos da Prevent Senior, na CPI da Covid-19
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Advogada Bruna Morato representa médicos que denunciaram a operadora
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Advogada Bruna Morato representa médicos que denunciaram a operadora

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Segundo Morato, o diretor da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Jr, tentou aproximar-se de Luiz Henrique Mandetta em março de 2020, então ministro da Saúde, por meio de um médico com suposto parentesco.

Sem sucesso, o empresário teria feito uma “aliança” com “um conjunto de médicos assessorando o governo federal, totalmente alinhados com o Ministério da Economia”.

“Por conta das constantes críticas que estavam sendo feitas pelo ministro Mandetta à operadora de saúde Prevent Senior, a administração executiva tinha que tomar uma atitude. Qual foi essa atitude: no primeiro momento se aproximar do Ministério da Saúde através de um médico que era familiar ou vinculado com o ministro Mandetta. O ministro não deu essa abertura, fazendo com que eles procurassem outras vias”, relatou a advogada.

“O Dr. Pedro foi informado que havia um conjunto de médicos assessorando o governo federal, que estariam totalmente alinhados com os interesses do Ministério da Economia”, declarou Morato.

empresa, conforme revelou o Metrópoles, adotou o protocolo de administrar esses fármacos e passou dados para acompanhamento do governo federal. O padrão de uso foi desenvolvido com a ajuda de ao menos um membro do “gabinete paralelo”, que aconselhou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na condução da pandemia.

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