Abin Paralela: como operava o esquema de espionagem ilegal

Esquema ilegal de espionagem de adversários políticos através da Abin ficou conhecida como “Abin Paralela”

atualizado

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Hugo Barreto/Metrópoles
Carro da Policia Federal em frente a A sede da Abin, em Brasília
1 de 1 Carro da Policia Federal em frente a A sede da Abin, em Brasília - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

O uso da estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para a espionagem ilegal de adversários políticos ficou conhecida como “Abin Paralela” após as diligências da Polícia Federal (PF). Nesta terça-feira (17/6), a corporação enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a conclusão do inquérito. Foram indiciados o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-TJ), ex-diretor da Abin, e o vereador  pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos).

Atualização: Ao contrário do que foi divulgado inicialmente, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não foi um dos indiciados, nesta terça-feira (17/6), pela Polícia Federal no caso da “Abin paralela”. Fontes da PF confirmaram ao Metrópoles o equívoco na informação repassada à imprensa. O relatório da investigação detalha que Bolsonaro teria se beneficiado com o caso, mas, por uma questão técnica, segundo a PF, ele ficou de fora da lista de indiciados.

Os demais suspeitos de envolvimento, como o filho do ex-presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), o ex-diretor da Abin, deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), o atual diretor da Abin, Luiz Fernando Corrêa, e outras 31 pessoas seguem entre os indiciados.

De acordo com a investigação, que apurou o monitoramento de opositores e adversários políticos do ex-presidente entre 2019 e 2021, sob a gestão do então diretor do órgão, Alexandre Ramagem, a espionagem paralela era feita por meio do software de inteligência israelense First Mile, adquirido durante o governo de Michel Temer.

A ferramenta em questão permite rastrear a localização de pessoas a partir de informações fornecidas por torres de telecomunicações.

Núcleos de espionagem

Foram identificados quatro núcleos responsáveis pelas atividades irregulares.

O núcleo político da organização seria formado pela assessora do vereador Carlos Bolsonaro, Luciana Almeida, e a assessora de Alexandre Ramagem — ex-diretor do Abin — Priscilla Pereira e Silva. De acordo com as investigações, as duas funcionárias atuavam como interlocutoras na troca de informações de interesse da família Bolsonaro.

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Alexandre Ramagem (PL) concorreu a prefeito do Rio com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro
Homem de confiança de Bolsonaro, Alexandre Ramagem foi alvo da PF em operação sobre suposta espionagem na Abin
Carlos Bolsonaro posta foto de Ramagem tomando café com Bolsonaro
Deputado Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro
Carlos Bolsonaro e Ramagem com Jair Bolsonaro; vereador e deputado são investigados por "Abin Paralela"
O ex-presidente Jair Bolsonaro, investigado pela PF no caso da Abin Paralela
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O ex-presidente Jair Bolsonaro, investigado pela PF no caso da Abin Paralela

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Alexandre Ramagem (PL) concorreu a prefeito do Rio com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro
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Alexandre Ramagem (PL) concorreu a prefeito do Rio com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro

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Homem de confiança de Bolsonaro, Alexandre Ramagem foi alvo da PF em operação sobre suposta espionagem na Abin
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Homem de confiança de Bolsonaro, Alexandre Ramagem foi alvo da PF em operação sobre suposta espionagem na Abin

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Carlos Bolsonaro posta foto de Ramagem tomando café com Bolsonaro
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Carlos Bolsonaro posta foto de Ramagem tomando café com Bolsonaro

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Deputado Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro
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Deputado Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro

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Carlos Bolsonaro e Ramagem com Jair Bolsonaro; vereador e deputado são investigados por "Abin Paralela"
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Carlos Bolsonaro e Ramagem com Jair Bolsonaro; vereador e deputado são investigados por "Abin Paralela"

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Atualmente, Ramagem é deputado federal
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Atualmente, Ramagem é deputado federal

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Ramagem ao lado do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro
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Ramagem ao lado do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro

Reprodução/Redes sociais

O outro núcleo, chamado de Alta Gestão, envolve o então diretor da Abin, Alexandre Ramagem, e servidores subordinados. Segundo a PF, a alta cúpula do órgão tinha total conhecimento do uso indevido de ferramentas da pasta e teria tentado dar uma aparência de legalidade às atividades.

Juntos, os dois núcleos seriam os responsáveis por interferir em investigações da Polícia Federal contra filhos de Jair Bolsonaro, produzindo provas a favor de Renan Bolsonaro e preparando relatórios para a defesa do senador Flávio Bolsonaro.

PCC

Um terceiro tentáculo do grupo — apelidado de Portaria 157 — contava com a atuação de servidores incumbidos de tentar associar parlamentares e ministros do STF à organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os investigados teriam utilizado a ferramenta First Mile para monitorar o então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e a então deputada federal Joice Hasselmann, além do advogado Roberto Bertholdo, ligado aos parlamentares.

O quarto núcleo, chamado de Tratamento Log, até o momento, seria responsável por operar a ferramenta First Mile, e inserir os números a serem monitorados pelo software.

A polícia não descarta a existência de outros núcleos e a participação de mais servidores ainda não identificados no esquema ilegal de espionagem.

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