A Trump, Lula diz que alegações que embasaram tarifas "são infundadas"
Presidentes se falaram por mais de uma hora em ligação na manhã desta sexta

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a dizer que as alegações usadas pelos Estados Unidos para aplicar o tarifaço contra o Brasil são “infundadas“. A afirmação foi feita diretamente ao presidente Donald Trump, com quem Lula conversou por mais de uma hora, por ligação, na manhã desta sexta-feira (21/8).

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todas“Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas“, informou a presidência em nota.
Na ligação, que de acordo com o Palácio do Planalto durou mais de uma hora, o presidente Donald Trump teria concordado com a retomada das negociações sobre as tarifas, que podem chegar a 37,5%.
“Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil”, informou o Planalto sobre a ligação.
Uma ligação entre os dois líderes vinha sendo ventilada a cerca de duas semanas, quando Lula afirmou que gostaria de ligar para o líder norte-americano para tratar das guerras em curso no mundo. Além de Trump, Lula também manteve ligação com os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, para tratar sobre os conflitos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesTaxas contra o Brasil
Os Estados Unidos implementaram duas taxas contra o Brasil nos últimos meses, uma de 25% baseada em uma investigação do USTR direcionada contra o Brasil e uma outra de 12,5%, que alcança mais de 60 países e a União Europeia. Somadas, as taxas podem afetar setores da indústria brasileira em até 37,5%.
Para justificar a aplicação da maior taxa, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) alegou que o Brasil adota práticas comerciais desleais que oneram importadores norte-americanos. Entre as tais práticas, a pasta citou o aumento do desmatamento ilegal no Brasil, acordos internacionais preferenciais e fez críticas ainda ao Pìx.
Em mais de um ano de tratativa, o governo brasileiro buscou contestar todas as alegações apresentadas pelo USTR. Os argumentos, contudo, não foram levados em consideração para evitar a aplicação das taxas e nem mesmo para negociar uma alíquota menor.









