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O que Lula diz nem sempre deve ser levado a sério

É o caso da reeleição, por exemplo

atualizado 27/11/2022 12:43

foto colorida de Lula discursando Rafaela Felicciano/Metrópoles

Há uma compreensível excitação entre os que apoiam Lula e os que a ele se opõem com o renovado propósito do presidente eleito de só governar por quatro anos. Lula lembra que, em 2026, estará com 81 anos. E que vai querer desfrutar o resto da vida em paz.

Seu desejo é legítimo. Mas, se ele irá realizá-lo, só o tempo dirá. O poder é afrodisíaco, como disse Henry Kissinger, secretário de Estado dos Estados Unidos entre 1973 e 1977. Lula está de mulher nova, a socióloga Rosângela Lula da Silva, Janja, filiada ao PT.

E Janja, que já requisitou para si uma sala no Palácio do Planalto a partir de 1º de janeiro, tem muitos planos; tantos ou mais do que o marido. De resto, a capacidade de Lula de abrir mão do poder já foi testada várias vezes e, na maioria delas, ele foi reprovado.

Em 1989, quando disputou pela primeira vez a Presidência da República, o PT existia apenas há 9 anos, e dentro dele não tinha para mais ninguém – o candidato só podia ser Lula, o ex-líder metalúrgico que comandara as greves na região do ABC Paulista.

Lula disputou o segundo turno contra Fernando Collor de Mello e perdeu por pouco (53,03% a 46,97% dos votos válidos). Em 1994, ele liderou todas as pesquisas de intenção de voto até julho. Foi derrotado pelo Plano Real, que elegeu Fernando Henrique.

Nos anos seguintes, Lula deu corda para que aparecessem outros candidatos do PT a presidente, e apareceram pelo menos dois: Eduardo Suplicy e Cristovam Buarque. Lula dizia que era preciso renovar o partido e que sua carreira política chegara ao fim.

Conversa mole. Manobrou para abater os dois, e pela terceira vez concorreu à Presidência. O Plano Real começava a fazer água, mas, mesmo assim, reelegeu Fernando Henrique Cardoso, que dissera que jamais seria candidato à reeleição, mas foi.

Sob pressão do PT para se candidatar pela quarta vez em 2002, Lula negou-se; depois, exigiu que fossem cumpridas todas as suas condições para que fosse. Uma delas: que houvesse uma estrutura profissional de campanha. Aí nasceu o Lulinha Paz & Amor.

Deu certo, mas não só por isso. Ao invés de cair, a inflação crescia e o desemprego também. Só há dois tipos de eleições: de continuidade ou de mudança. Candidato do governo, José Serra (PSDB) apresentou-se como candidato da mudança. Lula venceu.

Nem o escândalo do mensalão impediu Lula de se reeleger em 2006 – a economia ia bem, e os pobres estavam felizes com o governo. Mandatos consecutivos de presidente, governador e prefeito só dois são possíveis, segundo a Constituição.

Em 2010, Lula sonhou em mudar a Constituição para tentar um terceiro mandato. Algo como 80% dos brasileiros avaliavam positivamente o seu desempenho. Ele sairia do governo como o presidente mais popular da história do país, mas queria ficar.

Chegou a consultar a respeito algumas estrelas do PT, como Jaques Wagner. Foi convencido de que pagaria um alto preço político por isso. Então, lançou Dilma. E, em 2014, foi a teimosia de Dilma em se reeleger que barrou a volta de Lula. Ele estava pronto.

Como de uma cela da Polícia Federal em Curitiba, quatro anos mais tarde, sentia-se pronto para ser candidato de novo. Preso, liderou todas as pesquisas de intenção de voto até fim de agosto daquele ano. Só vendo para crer que agora poderá ser diferente.

Cotados para ministro, Fernando Haddad (PT), Simone Tebet (MDB) e Guilherme Boulos (PSol) esperam que seja diferente, assim como na oposição Bolsonaro (PL), Eduardo Leite (PSDB-RS), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Zema (Novo-MG).

Vai depender de muitas coisas – da saúde de Lula, da influência de Janja sobre ele, dos resultados do governo, e da performance dos seus aliados e adversários. É melhor já irem se acostumando com a ideia de que Lula governará por quatro anos e, quem sabe, por mais quatro.

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