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Bolsonaro já era, por absoluta incapacidade de se reinventar

O futebol alemão, ao contrário

atualizado 02/12/2022 10:58

Bolsonaro Orlando Brito

Uma coisa é o que dizem para consumo público os políticos que cercam de perto o presidente demissionário Jair Bolsonaro, calado, perplexo e desocupado desde que perdeu a eleição.

Outra bem diferente é o que eles dizem quando conversam entre si no escurinho do cinema, ou nos gabinetes da República à prova de escuta dos curiosos, especialmente dos jornalistas.

Para consumo público, eles dizem, ou pelo menos diziam até um dia desses, que Bolsonaro, pouco a pouco, voltava a governar, que já dava ouvidos aos outros, e que em breve recuperaria a voz.

Intramuros, dizem o contrário. Que Bolsonaro continua apático, macambúzio, sofrido, que não fala porque não tem nada a dizer, e que dificilmente será o líder da oposição ao governo Lula.

Bolsonaro sempre gostou de impor suas vontades, e quando as via ameaçadas, falava muito, batia na mesa, distribuía desaforos, e valia-se da caneta cheia de tinta para intimidar os desafetos.

Jamais, em 27 anos como deputado federal, ele foi homem de partido. Passou por nove e está no décimo, o PL de Valdemar Costa Neto. Operava como um franco atirador do baixo clero da Câmara.

Esteve a ponto de encerrar sua carreira por cansaço e desânimo. Sentia-se sem futuro na política. Aí, teve a ideia de ser candidato a presidente para impulsionar a carreira dos filhos.

Foi então, para seu próprio espanto, que se deu bem. Foi então, depois de quatro anos, que se deu mal. Entrou para a história como o único presidente que não se reelegeu, e o pior de todos.

O que ele teria a dizer aos seus eleitores hoje? A maior parte dos que votaram nele queria evitar a volta de Lula. A minoria que poderia votar novamente sente-se órfã e começa a criticá-lo.

Transcorrido mais de ano em que tentou desacreditar o processo eleitoral, reconhecer a derrota seria contraditório. Tendo se empenhado pelo golpe, não pode mandar os golpistas para casa.

Acreditou que os partidos que o apoiaram, comprados com o orçamento secreto, estariam ao seu lado na vitória ou na derrota. Não foi o que aconteceu. E ele está revoltado.

Quando a Alemanha, na Copa do Mundo de 2014, goleou o Brasil por 7 x 1 e sagrou-se campeã, muito se disse que o futebol jogado por ela viera para ficar e seria copiado pelos demais países.

Na Copa de 2018, a Alemanha emperrou na fase de grupos. Na Copa do Catar, ora em curso, foi o que se viu ontem. O futebol alemão será obrigado a se reinventar, e certamente o fará.

Quanto a Bolsonaro, por absoluta impossibilidade, já era.

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