Supersalários e Fundo Partidário (por José Aníbal)

4 em cada 10 pobres são adolescentes e crianças: 20,8 milhões de pessoas. 6,1 milhões são crianças de zero a 5 anos

atualizado 19/07/2021 2:22

A pandemia da covid-19 aumento dos índices de pobreza em todo o DF Hugo Barreto/Metrópoles

Os supersalários mensais de todo o funcionalismo foram enquadrados ao limite constitucional de R$ 39.200,00. A Câmara aprovou na terça, dia 14, barreira extinguindo quase todos os artifícios usados para ferir a Constituição e receber salários de 50, 70, 100 mil reais por mês. Economia de alguns bilhões de reais com o fim do privilégio, escandaloso e ilegal.

Depois da terça veio a quinta, dia 16, e o Congresso triplicou os recursos para a campanha eleitoral de 2022. De R$ 2 bilhões em 2020 para R$ 5,7 bilhões ano que vem. Os políticos e os parlamentares conhecem as imensas oportunidades abertas pela era digital para o acesso aos cidadãos a custo praticamente zero, caso queiram divulgar seus nomes e suas ideias.

Para que, então, tantos bilhões? Vão monetizar votos? Não mais acreditam no poder das ideias, da sintonia com os anseios da população? Eleição virou balcão? Porque não destinar a economia com os supersalários para os milhões de brasileiros sem nenhuma renda?

São terríveis as notícias sobre o empobrecimento dos brasileiros. Poder de compra da metade da população vai cair 17% este ano. Nesta semana o jornal Valor publicou que 4 em cada 10 pobres são adolescentes e crianças: 20,8 milhões de pessoas. 6,1 milhões são crianças de zero a 5 anos.

Esse contingente de brasileiros enfrenta restrições que vão comprometer suas oportunidades no futuro. O custo para erradicar a pobreza infantil no Brasil é calculado em 50 bilhões por ano. O de queimar outra geração, como estamos fazendo, é incalculável.

 

José Aníbal, ex-senador do PSDB-SP