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Eduardo Leite e o conto do vigário da união da 3ª via (Helena Chagas)

Faltou combinar com os russos, e Doria é um deles

atualizado 31/03/2022 12:05

Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, saindo do STF após reunião sobre ICMS com a ministra Rosa Veber. Igo Estrela/Metrópoles

A decisão do governador gaúcho Eduardo Leite de ficar no PSDB, dispensando a candidatura presidencial meio fake que o PSD lhe oferecia, parece ser mesmo, a longo prazo, o melhor para seu futuro político. Mas também é falsa, e frágil, a embalagem com a qual ela está sendo vendida – a conversa de que Leite fica no partido para derrubar João Doria e virar um candidato de união da terceira via com o MDB e o União-Brasil.

Essa versão pode sustentar por uns poucos dias  anúncio de Leite, mas a lógica indica que ele não foi para o partido de Gilberto Kassab porque não viu vantagem em ser um candidato destinado a preencher as necessidades políticas de Kassab no primeiro turno, antes de correr para Lula no segundo. Nessas condições, o governador percebeu que não teria os R$ 50 milhões pedidos para fazer uma campanha de verdade, e nem o empenho do PSD nos estados.

Desse jeito, seria difícil sair do 1% que marcou nas pesquisas recentes, rivalizando com Doria – outra razão importante para a desistência. Se seu nome tivesse emplacado após a movimentação em torno da ida para o PSD, Leite provavelmente tentaria o pulo nesse trapézio sem rede. A pressão dos caciques do PSDB para que ele ficasse, acompanhada de promessas de puxar o tapete de Doria na convenção de agosto, foi, portanto, um pretexto providencial.

Leite vai deixar o governo gaúcho aparentemente apostando nessa hipótese. Mas, na verdade, ele já fizera compromissos regionais no Rio Grande do Sul que não comportam um recuo na promessa de não se candidatar à reeleição.

A aposta na possibilidade de desistência de Doria é hoje um lote na lua, assim como a propalada união da terceira via, em junho, em torno do nome que estiver melhor nas pesquisas. Supostamente, na estratégia de caciques do PSDB como Aécio Neves, esse nome seria o de Eduardo Leite, que assumiria a cabeça de chapa tendo como vice Simone Tebet (MDB) ou Luciano Bivar (União-Brasil). Faltou combinar com os russos.

Além do russo Doria, que já deu sinais que vai lutar até o fim, inclusive na Justiça, para manter o resultado nas prévias, tem ainda a russa Tebet, que já deixou claro que retomará a disputa ao Senado no Mato Grosso do Sul para não ser vice de ninguém. O MDB, portanto, muito provavelmente cairá fora. Caso do União-Brasil, quando perceber que os parceiros estão mais interessados em seu gordo dote, o qual não aceitará dividir em nome de uma candidatura presidencial de menos de 5%.

Diante das dificuldades de seus candidatos nas pesquisas e dentro do próprio PSDB, a união da terceira via em torno de Eduardo Leite tem tudo para ser um conto vigário – que, nesse momento, interessa a ele.

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