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Entre os blocos da 312 Sul se esconde uma joia: um prédio projetado, em 1976, por Marcílio Ferreira, funcionário da Caixa Econômica e professor da UnB. O arquiteto teve como inspiração o modernismo de Brasília, por isso não faltam cobogós, muito cimento, brises fixos e azulejos de Athos Bulcão. “Considero um dos projetos mais bonitos da cidade”, avalia o arquiteto Pedro Grilo.

E dentro da joia, outra peça rara na cidade. Um apartamento com uma planta de 215m². Coube ao Pedro e à CoDA Arquitetos, seu escritório, trazer o espaço para os tempos atuais. “O objetivo era atualizar a arquitetura. O apartamento foi pensado em um tempo em que havia uma segregação excessiva dos espaços, o serviço ficava separado do social. A cozinha é gigante, mas fica afastada da sala. É um tipo de arranjo que não faz mais sentido hoje”, conta Pedro.

Mas ao mesmo tempo era preciso mudar e preservar. Por isso, valorizar os elementos do modernismo se mostrou uma missão importante. O apartamento, que tinha originalmente quatro quartos, foi transformado. Derrubaram as paredes que separavam a cozinha e a sala para criar uma área maior. Um dos quartos foi integrado à sala. Trocaram os revestimentos. Mas o piso de taco e as portas de madeira do projeto original, que são parte da alma da casa, continuaram.

“O resultado da integração da cozinha social (gourmet) com a sala foi uma mudança radical na percepção do espaço do apartamento. A sala, que antes tinha uma configuração de galeria, ganhou em amplitude espacial, melhorando a conexão com o restante do apartamento”, explica a memória, confeccionada pela CoDA, sobre o apartamento.

Na contramão dos apartamentos modernos, que unem a varanda à sala para aumentar o espaço, a proposta foi aumentar a área externa. No projeto original eram várias pequenas varandinhas — aqui as esquadrias foram recuadas para criar um grande espaço. Outra pequena intervenção foi retirar a parede que escondia os cobogós da suíte e do banheiro do casal, aproveitando a ventilação e a iluminação naturais.

 

 

 



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