Quais as cinco principais promessas de “Batman vs Superman”?
Estreia desta quinta (24/3), o blockbuster baseado nos super-heróis da DC Comics tenta criar um universo tão ambicioso e lucrativo quanto o dos Vingadores da Marvel
atualizado
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É preciso dizer, porém, que a Marvel está uns aninhos à frente. O tal Marvel Cinematic Universe (MCU), ou Universo Cinematográfico da Marvel, inicia sua terceira fase em 28 de abril, com a estreia de “Capitão América – Guerra Civil”. “Homem de Ferro” (2008) inaugurou o tal catálogo de histórias em formato seriado, com tramas e personagens que se conectam e dão sentido às histórias seguintes.
Entenda a cronologia
O Universo Extendido da DC (DC Extended Universe) começou há três anos, com “O Homem de Aço” (2013). Kal-El, o alienígena com poderes de Deus, só é chamado de Superman (Henry Cavill) na parte final, quando apoia os militares da cidade de Metrópolis a derrotar o General Zod. Por fim, o governo dos EUA se vê forçado a dar cobertura ao herói, enquanto Clark Kent arruma um emprego no jornal Planeta Diário para esconder sua verdadeira identidade.
Este “Batman vs Superman” ignora completamente os acontecimentos que envolveram o Homem Morcego, então vivido por Christian Bale, na trilogia “Batman Begins” (2005), “O Cavaleiro das Trevas” (2008) e “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012). Ben Affleck assume o fardo de proteger Gotham do caos e da barbárie, mas anda cansado da rotina de socar e explodir bandidos noites adentro.
Abaixo, em cinco tópicos, analisamos quais as promessas de “Batman vs Superman”:

A mitologia dos super-heróis: homem vs Deus
Se Christian Bale era um Homem Morcego rouco e perturbado, Ben Affleck dá ainda mais gravidade ao personagem. Além de espiar cada esquina e ruela de Gotham, ele agora anda irritado com esse tal de Superman, um sujeito que parece capaz de reduzir o planeta a pó num estalar de dedos. Batman deixa Gotham temporariamente para fazer uma visitinha ao Super-Homem em Metrópolis.
E, obviamente, o encontro não será dos mais amistosos. Homem de carne e osso, o Morcego sempre pagou caro por seu espírito vigilante. Vive como um bilionário excêntrico que almeja expurgar os traumas de infância ao combater o crime. Superman, pelo contrário, caminha como um ser divino na Terra. Por isso, o Homem Morcego não tem dúvidas: Deus também precisa ser vigiado.

Zack Snyder, visionário ou farsante?
Diretor de “O Homem de Aço” (2013), Zack Snyder está longe de ser tão unânime quanto Christopher Nolan, o supervalorizado autor da trilogia anterior de Batman e de blockbusters “inteligentes” como “A Origem” (2010). Snyder tornou seu estilo conhecido em “300” (2007), com a câmera lenta invadindo tudo quanto é cena de ação.
Formado na publicidade, Snyder até estreou bem, no frenético remake de “Madrugada dos Mortos” (2004). Depois, ganhou status de mero “adaptador” de quadrinhos ao rodar “300” e “Watchmen” (2009), filmes de visual histérico e imaginação vazia, incapaz de traduzir a potência fantástica e trágica das HQs.
Antes de realizar “O Homem de Aço” e se tornar a principal figura do Universo DC, ele acumulou fracassos artísticos e comerciais na animação “A Lenda dos Guardiões” (2010) e em “Sucker Punch” (2011), seu único trabalho de inspiração autoral.

E o Universo DC, será que deslancha?
Orçado em pelo menos US$ 250 milhões, fora os gastos com marketing e divulgação, “Batman vs Superman” precisa ter um retorno estrondoso de bilheteria para que o Universo DC “vingue” de vez. Se não atingir a marca de US$ 1 bilhão, será um fracasso ou, no mínimo, um asterisco que pode vitimar até o próximo lançamento do selo, “Esquadrão Suicida”, em 4 de agosto.
Vale lembrar que “O Homem de Aço” não foi assim tão bem de grana: “apenas” US$ 668 milhões, não muito mais que os US$ 519 milhões de “Homem-Formiga” (2015), produto Marvel sobre um herói praticamente desconhecido até então. Um deslize pode frustrar os planos da DC para os próximos anos.
Em 2017, a Warner pretende lançar o filme solo da Mulher Maravilha e a primeira de duas partes da Liga da Justiça – ambas com direção de Snyder. A antologia pode se expandir com as aventuras solitárias de Flash, Aquaman, Ciborgue, Lanterna Verde, Shazam e, quem sabe, Batman e Superman.

Ben Affleck, Jesse Eisenberg e Gal Gadot (Mulher Maravilha): futuro da franquia
Essas são as três novas caras do Universo DC para os próximos anos. Ben Affleck representa a aposta mais segura: um ator experiente, carismático e que só teve uma experiência anterior no cinema de herói, naquele “Demolidor” (2003) perfeitamente esquecível.
Eisenberg tem a tarefa de resgatar Lex Luthor, inimigo de Superman que anda sumido desde que Kevin Spacey viveu o vilão em “Superman – O Retorno” (2006). A missão de Gal Gadot é ainda mais penosa: emplacar a semideusa filha de Zeus na primeira aparição da heroína na telona.

Batman vs Superman: rivalidade histórica nos quadrinhos
Nas HQs, as diferenças entre os dois super-heróis renderam encontros ambíguos. Até 1985, quando a DC renovou a cronologia dos personagens no arco “Crise nas Infinitas Terras”, os dois eram geralmente retratados como colegas de vigilância, com faíscas aqui e ali.
Principal referência de “Batman vs Superman”, a série “O Cavaleiro das Trevas” (1986), de Frank Miller, desbravou com mais profundidade as divergências entre o Homem Morcego e o Homem de Aço. Entre 2003 e 2011, a dupla era vista mensalmente em “Superman/Batman”, com contornos amistosos e ríspidos.
Nos vários duelos, os combates guardam certas semelhanças. Superman costuma controlar seu poder pleno para não despedaçar Batman e vive caindo em chantagens emocionais (Lois Lane em perigo!) e psicológicas. O Homem Morcego explora o clássico ponto fraco do rival, a kriptonita, em pulsos e luvas para conter as investidas do Homem de Aço.
