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Filme mais longo da mostra competitiva, com 160 minutos de duração, “Martírio” concentra dramaticidade já no título. Francês radicado no Brasil, o indigenista e cineasta Vincent Carelli reúne imagens de diferentes décadas para compor um painel da situação dos indígenas Guarani Kaiowá no país. O documentário foi a única atração da mostra competitiva nesta quinta (22/9), no Festival de Brasília.

“Martírio” é o segundo filme de uma trilogia sobre a questão indígena no país. Em 2009, Carelli venceu o Festival de Gramado com “Corumbiara”, documentário sobre um massacre indígena em Rondônia, em 1985.

Leia crítica do filme exibido na noite desta quinta (22/9), no Festival de Brasília:

“Martírio” (PE), de Vincent Carelli: uma história de violência
Algumas das primeiras imagens do documentário mostram Carelli diante de uma comunidade indígena, em 1988, no Mato Grosso do Sul. Ele havia acabado de chegar. Ligou a câmera e filmou as conversas mais por curiosidade do que por conhecimento. Passou anos sem entender o que os Guarani Kaiowá falavam. Mas sabia que era sobre terra, despejos e retomadas.

Décadas depois, em “Martírio”, Carelli desenrola por 2h40min um painel sobre o movimento Guarani Kaiowá, suas raízes nos anos 1970, seus reflexos nos dias de hoje e histórias de resistência que remontam ao início do século, época da exploração de erva-mate no estado.

Divulgação

O diretor e indigenista investiu em traduções, investigou seu próprio acervo, produziu novas imagens. O que mais chama a atenção no documentário é a própria frontalidade do registro. Carelli não esconde que realizou, também, um projeto pessoal: são suas imagens, seu texto, suas observações. Sua voz guia, comenta e até se emociona com dezenas de relatos de violência, isolamento, desespero.

Nesse sentido, é mais interessante perceber o volume de informações e interpretações do que aspectos cinematográficos – discutíveis sobretudo na montagem, com falas de políticos da bancada ruralista que surgem para gerar indignação imediata no público.

“Martírio” quer e consegue ser uma aula de história sobre brasileiros que sobrevivem numa fria e injusta invisibilidade.

Avaliação: Bom

 

 

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