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Segundo longa-metragem a ser exibido na Mostra Competitiva, “Martírio” teve calorosa acolhida na noite de quinta (22/9), no Festival de Brasília. Apesar das 2h40min de duração, o documentário de Vincent Carelli conquistou os espectadores que acompanharam até o final uma coleção de histórias de resistência, luta e sofrimento dos índios Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul.

Entre imagens de arquivo, entrevistas com indígenas e depoimentos públicos de autoridades governamentais, o filme mostrou contornos de uma grande aula de história. O público parece ter saído do Cine Brasília com essa impressão.

Os cineastas brasilienses Cícero Fraga e David Alves ficaram impactados com a força do documentário. “É mais que um filme. É um documento histórico. Essa sessão vai ser lembrada, até pelo momento em que vivemos”, disse Fraga, de 34 anos, em referência às turbulências na política nacional.

Divulgação

Indígenas em situação de isolamento: história de resistência contra o lobby ruralista no Mato Grosso do Sul

Alves, 33, saiu do cinema impressionado com as cenas finais de “Martírio”. Para tentar flagrar a presença hostil de ruralistas em terras ocupadas pelos Guarani Kaiowá, Carelli entregou uma câmera para uma comunidade. O fim do filme registra a chegada de dois homens numa moto, hostilizando mulheres e crianças com armas de fogo.

“Me entristece muito essa invisibilidade dos povos indígenas no Brasil”, lamentou Alves. “O filme nos conquistou porque já somos, digamos, ‘catequizados’. Mas fica o desejo de que o filme chegue ao outro lado”, disse o realizador, em relação a empresários, trabalhadores e defensores do agronegócio que lutam contra a causa dos Guarani Kaiowá.

 

 

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Vincent Carelli
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