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Em noite de sexta (23/9) dominada por coletivos jovens, o 49º Festival de Brasília seguiu adiante com mais dois filmes na última sessão competitiva do dia. A exibição teve dose dupla de cinema mineiro. Mais cedo, às 19h, “O Último Trago” (CE) representou a produtora Alumbramento e “Solon” (MG) mostrou as marcas da Anavilhana.

Também da Anavilhana, o longa “A Cidade Onde Envelheço” (foto no alto), de Marilia Rocha, narra uma história de amizade entre duas portuguesas que se fixam em Belo Horizonte, mas cultivam saudades de Lisboa. Produção da Filmes de Plástico, o curta “Constelações” acompanha as conversas entre dois estranhos numa noite de confissões e angústias pessoais.

Leia críticas dos filmes exibidos na segunda sessão noturna desta sexta (23/9), no Festival de Brasília:

“A Cidade Onde Envelheço” (MG/Portugal), de Marília Rocha: juventude em marcha
Certas sutilezas só são notadas por quem é de fora. A portuguesa Francisca mora em Belo Horizonte há algum tempo e, mesmo assim, ainda não se acostumou com a “folga” das pessoas: toda hora alguém a aborda pedindo um trago de cigarro.

No senso comum, as nações são irmãs: falam a mesma língua, compartilham costumes. Na prática, morar em outro país desperta uma incerteza lancinante: é aqui onde vou envelhecer?

Com uma estrutura livre, sem uma trama a seguir ou um destino a atingir, a diretora Marilia Rocha cria uma encenação espontânea e um baseada na improvisação para narrar o encontro de duas amigas portuguesas em Belo Horizonte.

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Teresa chega ao Brasil com seu espírito brincalhão e agitado. Vai a festas, faz amizade com um grupo de roqueiros, diverte-se fazendo compras. Francisca, mais acostumada à rotina, trabalha num restaurante português e parece bem menos efusiva. De um jeito ou de outro, as duas sentem saudades de Lisboa, do mar — “de pessoas que me conhecem”, observa Teresa.

“A Cidade Onde Envelheço” gera uma fácil associação a filmes recentes de Noah Baumbach sobre as metamorfoses da juventude e as crises dos 30, como “Frances Ha” (2012) e “Mistress America” (2015). Semelhanças óbvias à parte, o filme mineiro parece ir além nessa crônica urbana sobre jovens em constante movimento, que não se prendem a relacionamentos fixos e cotidianos previsíveis.

De um jeito pessoal, cultivado pela própria amizade da cineasta com as atrizes, o longa mineiro consegue exalar um aconchegante carisma a partir de conversas jogadas fora, brincadeiras nonsense e invencionices que só fazem sentido entre amigos íntimos. Um filme que se desenvolve como se o espectador estivesse passando dias e noites na companhia dos personagens.

Avaliação: Bom

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“Constelações” (MG), de Maurilio Martins: a última noite
Produtora do longa “Ela Volta na Quinta”, mostrado no festival em 2014, e dos ótimos “Rapsódia para um Homem Negro” e “Quintal”, selecionados ano passado, a Filmes de Plástico retorna com mais um curta que lida com dramas pessoais e procedimentos de cinema de gênero, sobretudo fantasia. Dois estranhos, uma dinamarquesa e um brasileiro, passeiam de carro durante uma noite estranha.

Eles narram memórias do passado e revelam angústias pessoais um ao outro. Pouco importa se a mensagem entregue foi assimilada: cria-se ali uma comunicação puramente visual, de gestos e entonações, enquanto a chuva lá fora fornece a perfeita ambientação para um encontro que parece deslocado do tempo e do espaço. Um consistente exercício de estilo encerrado com uma bonita nota surrealista.

Avaliação: Bom

 

 

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