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O policial civil do Distrito Federal Sílvio Moreira Rosa, 54 anos, autor do disparo que atingiu o coração do menino Luís Guilherme Caxias, 6, na manhã desta sexta-feira (6/1), foi transferido para Goiânia, onde ficará detido na sede da Delegacia de Homicídios. Moreira atirou contra o carro da família do garoto na BR-070, altura de Águas Lindas (GO), Entorno do DF, e fugiu em seguida. Ele foi detido momentos depois.

Embora Moreira tenha se mantido em silêncio no depoimento prestado na 1ª Delegacia de Águas Lindas, mais cedo, em entrevista a uma TV, disse ter suspeitado de um assalto, pois o carro da família de Luís Guilherme teria passado pelo acostamento em alta velocidade para escapar de um congestionamento. Por isso, ele sacou a arma e disparou.

A namorada de Moreira, Carla dos Anjos, 20 anos, que estava no veículo, contou a mesma versão ao Metrópoles “Como o vidro do carro era escuro, achamos que se tratava de criminosos”, disse a mulher, que está grávida.

O delegado Danilo Victor Nunes de Souza, que registrou a ocorrência, duvida desta versão. “Não faz sentido”, afirmou. “Em uma situação de assalto, o policial, que não estava a serviço e não tinha reforço, não perseguiria o carro de um suspeito. Para agravar o fato, o pai da família não estava armado”.

Ultrapassagem
Declarações do pai de Luís Guilherme, o brigadista da Infraero Erlon Caixas, 29 anos, reforçam a suspeita do delegado. Segundo Erlon, ele ultrapassou o carro do policial. Moreira teria ficado nervoso, o perseguiu e fechou o carro da família. Ao tentar ultrapassar o veículo novamente, contou Elron, o policial disparou três vezes.

Durante a tarde, o delegado Danilo Souza colheu uma série de depoimentos. Para Souza, em algum momento os motoristas discutiram.

Os dois carros iam na BR-070 e a pista estava fechada para recapeamento. O policial aguardava no acostamento pela liberação. O Erlon não teria visto e, quando reabriram a pista, tentou passar primeiro. Mais à frente, o policial foi ultrapassado de novo. Quando os carros se encontraram pela terceira vez, o agente atirou"
Danilo Souza, delegado de Águas Lindas

Ainda de acordo com o delegado, “quando o Erlon colocou a mão para trás, sentiu o sangue na criança. Ele parou e gritou falando que o filho tinha sido atingido. Moreira, então, fugiu”.

O policial deverá responder pelo crime de tentativa de homicídio, qualificado por motivo fútil e por ser contra uma criança. A partir de segunda-feira (9), a delegacia de Cocalzinho (GO) dará andamento às investigações do caso.

 

Caixa de cerveja e histórico conturbado
No veículo de Moreira, havia uma caixa de cerveja no porta-malas. O policial civil iria com a namorada e as cunhadas passear em Corumbá. De acordo com o delegado, como a unidade não conta com bafômetro, um médico legista fez exame clínico e não constatou que Moreira tivesse consumido bebidas alcoólicas.

Sílvio Moreira Rosa tem um histórico de violência e chegou a ser demitido da Polícia Civil por tentativa de fraude em aposentadoria, mas acabou reintegrado ao órgão. Segundo a PCDF, o agente responderá a um processo disciplinar e poderá ser demitido mais uma vez.

 

 

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