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As ocorrências criminais em que o agente de custódia Sílvio Moreira Rosa, 54 anos, figura como autor demonstram uma personalidade problemática e bem distante da conduta que deve ser seguida por um policial. Contra o servidor, que estava prestes a se aposentar, existem seis ocorrências registradas na Polícia Civil do Distrito Federal por vias de fato (briga), ameaça, lesão corporal, injúria e até um crime sexual. Todos os casos ocorreram entre 2005 e 2015.

Nesta sexta-feira (6/1), na BR-070, próximo a Águas Lindas de Goiás, Entorno do DF, o policial brasiliense se envolveu em uma briga de trânsito e, segundo informações de testemunhas, disparou várias vezes contra um veículo, acertando um menino de seis anos que estava sentado na cadeirinha. A criança está em estado grave no Hospital de Base do DF (HBDF). Sílvio foi preso.

O primeiro registro contra o agente de custódia data de 3 de janeiro de 2005. O policial teve um desentendimento e agrediu a mulher quando ambos estavam em casa, na Asa Sul. O caso foi investigado pela Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam). Na época, a Lei Maria da Penha ainda não vigorava e o servidor não foi preso.

Naquele mesmo ano, em 11 de setembro, Silvio voltou a prestar depoimento na Deam pelo crime de lesão corporal. Mais uma vez contra a mulher. Naquela oportunidade, a confusão ocorreu no estacionamento do bloco onde o casal morava.

Crime sexual
Em 17 de março de 2009, um novo boletim de ocorrência envolvendo Sílvio foi registrado na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Ele foi acusado por supostamente manter relações sexuais seguidas na frente de uma criança de apenas seis anos. O caso teria sido um dos motivos que provocou sua expulsão da corporação. Posteriormente, o agente foi reintegrado aos quadros da Polícia Civil por determinação judicial.

O policial ainda figura como autor em outras três ocorrências por perturbação do sossego, injúria e ameaça — todas registradas na 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia) — que envolvem confusões e brigas em via pública.

Segundo informações da Polícia Civil do DF, Sílvio é lotado no Centro de Progressão Penitenciária (CPP). “A Corregedoria-Geral da PCDF vai instaurar Processo Administrativo Disciplinar para julgar a conduta do policial civil (agente de custódia)”, informou a corporação.

Segundo a PCDF, uma equipe da corregedoria já se deslocou para Águas Lindas para se inteirar dos fatos e o agente pode ser punido até com demissão. Após prestar depoimento, o agente de custódia será levado para Goiânia (GO), onde ficará à disposição da Justiça.

A confusão no trânsito teria começado na altura de uma obra entre Águas Lindas e Girassol. Um congestionamento de carros se formou no local e, por conta dos reparos na estrada, o pai da criança teria cortado a fila de veículos parados.

O policial não teria gostado e aberto fogo no carro. No veículo do policial estavam a mulher grávida e duas menores, segundo a PMGO. No porta-malas do carro, a reportagem do Metrópoles viu um isopor com bebidas alcoólicas.

Demissão e reintegração na canetada de Agnelo
Sílvio Moreira Rosa ingressou nos quadros da Polícia Civil do DF em 5 de dezembro de 1983 e acabou demitido em 13 de junho de 2001, em virtude de tentativa de fraude em aposentadoria.

Treze anos após a demissão, foi reintegrado à corporação, por decisão administrativa do então governador Agnelo Queiroz (PT) no último dia de governo — 31 de dezembro de 2014. Agora, segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, “poderá ser demitido novamente”.

 

 

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