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Algumas viaturas da Polícia Militar estão circulando nas ruas do Distrito Federal na base do improviso. É o que denuncia um grupo de PMs. Um veículo do modelo Chevrolet Blazer, por exemplo, está com problemas no banco traseiro. Para segurar o assento, foi preciso colocar um paralelepípedo.

“Usamos essas viaturas para fazer rondas e atender ocorrências. No batalhão, há várias nesse estado, ou pior”, contou um policial, que pediu para não ser identificado temendo represálias. Problemas como pneus carecas e falta de manutenção também são recorrentes, segundo os policiais.

“Na troca de pneus, não tem cambagem, balanceamento ou alinhamento. Quando elas (viaturas) vão para a revisão, notamos só depois que trocaram apenas o óleo, filtro de ar”, contou outro militar.

O comando da PMDF, por outro lado, afirma que os contratos de manutenção das viaturas estão vigorando normalmente. Com relação ao caso do banco e de outros parecidos, a corporação explicou que as viaturas estão sendo enviadas para descarga e posterior leilão, pois é inviável o conserto.

No que se refere à aquisição de novos veículos, a Polícia Militar esclareceu que já está na fase final para compra, aguardando somente análise do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). Serão adquiridas mais de 400 viaturas para substituir aquelas que não servem mais à PMDF.


Contratos investigados
A manutenção é de extrema importância para a corporação. Contudo, os órgãos de fiscalização estão atentos para que não se repita o que ocorreu no ano passado. Em outras reportagens, o Metrópoles já mostrou o problema. Em um dos casos, a empresa RR Guilherme havia ganhado a concorrência, em 2014, para a manutenção das viaturas, mas um novo processo de contratação foi lançado pela corporação com um valor 37,27% maior, o que chamou a atenção do TCDF.

A primeira licitação, de R$ 5.790.391,24, já era alvo de um imbróglio judicial entre a corporação e a oficina RR Guilherme Automóveis. Porém, em 4 setembro, um edital lançou o valor de R$ 7.948.495,69 para a manutenção dos veículos. O edital previa, ainda, a possibilidade de um aditivo de 25%, totalizando quase R$ 10 milhões por um ano de serviços prestados.

No entanto, quatro empresas que participaram da concorrência pública pertencem a uma mesma pessoa — José Sandro Leite dos Santos — ou a parentes dele. É o que consta em uma denúncia apurada pela Divisão de Combate a Crimes contra a Administração Pública (Decap) da Polícia Civil.

 

 

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