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Origem do escândalo na saúde pública do Distrito Federal que fomentou a Operação Drácon, os grampos feitos pela presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues, prometem trazer à tona novos capítulos do escândalo de corrupção que atinge a gestão Rodrigo Rollemberg (PSB) e a Câmara Legislativa. O Metrópoles teve acesso a um novo áudio de uma conversa entre a sindicalista e o ex-ouvidor da Vice-Governadoria do DF Valdecir Medeiros. Na gravação — que até então não havia sido divulgada na íntegra —, os dois falam sobre uma tentativa de extorsão ao sindicato comandado por Marli.

No grampo, Medeiros atua na condição de interlocutor de Edvaldo Simplício da Silva, então técnico em políticas públicas e gestão governamental da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag). Segundo Medeiros, Silva disse que “o prazo vence dia 25”. Por isso, “o acordo tinha que ser feito até terça-feira e não tinha como esperar até semana que vem”.

As declarações irritam Marli. “Além de me extorquir, ele (Edvaldo) está me pressionando? Ele traz um processo de R$ 214 mil e ainda bota a faca no meu pescoço? (…) Ele é servidor público. Você sabe que ele não pode fazer esse tipo de coisa. Esse cara está usando o cargo público para me extorquir”, reclama Marli no áudio.

Diga a ele (Edvaldo) que não vou pagar. Vou fazer isso dentro dos trâmites legais: reunião de diretoria, parecer do conselho fiscal e tudo o mais. Além de me extorquir vai ficar me pressionando? (…) Manda ele (Edvaldo) tomar no cu porque não vou ficar refém dele"
Marli Rodrigues, sindicalista

Ouça o áudio:

 

Contrato de fachada
A cobrança da propina seria para evitar que o sindicato, por falta de certidões que deveriam ser apresentadas ao GDF, perdesse recursos descontados no contracheque de servidores filiados à entidade. O meio para fazer o repasse ilegal seria um contrato de uma prestação de serviços inexistentes.

Segundo as denúncias, Edvaldo Simplício da Silva receberia pagamentos por uma “consultoria”, enquanto o processo seria “paralisado” dentro da secretaria até que as certidões fossem todas entregues. O caso foi denunciado pela sindicalista à Casa Civil no fim do ano passado e entregue para investigação da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública (Decap).

Operação da Decap
Na manhã de 17 de agosto, a Decap deflagrou uma operação para cumprir oito mandados de busca e apreensão em secretarias instaladas no Palácio do Buriti, na Secretaria de Planejamento do DF e em residências de servidores comissionados para colher provas sobre as denúncias de um suposto esquema de pagamento de propina no GDF. A operação, em parceria com o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), teve como alvo as pessoas envolvidas nos grampos feitos pela presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues.

Após buscas pela manhã, policiais da Decap e integrantes do MPDFT voltaram ao Buriti, na noite de quarta (17), para novas buscas e apreensões. Desta vez, na Vice-Governadoria. Segundo um agente da Decap, na ação do início do dia, os policiais civis chegaram a ir à Vice-Governadoria para buscar computadores, mas faltou o PC da Ouvidora, onde trabalhava o agora ex-ouvidor Valdeci Rodrigues, amigo do vice-governador Renato Santana.

Um perito acompanhou a busca e apreensão e retirou do computador apenas o disco rígido, que foi levado à Decap para perícia. Para a ação, foi expedida outra ordem judicial de busca e apreensão, além da que tinha sido dada pela manhã.

O objetivo da operação foi apreender documentos, computadores e outros elementos de prova — como e-mails — de extorsão por parte de servidores públicos. Além de Valdecir Medeiros e Edvaldo da Silva, ainda está na mira da Decap o ex-gerente de Cessões, Requisições e Ressarcimentos da Seplag Christian Michael Popov.

Os primeiros grampos e menções a Rollemberg
As primeiras gravações que apontavam para um possível esquema de propina e de desvio de dinheiro na saúde pública do DF vieram à tona em julho deste ano, quando foram divulgadas conversas entre Marli Rodrigues, o vice-governador Renato Santana e o ex-secretário de Saúde Fábio Gondim.

Parte desses diálogos insinua que o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) tinha conhecimento do esquema. Os trechos que citam o socialista foram enviados, em 6 de setembro, à Procuradoria-Geral da República (PGR). A PGR ficará responsável por definir se os trechos do inquérito trazem indícios suficientes para que se abra uma investigação em torno do governador.

 

 

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