Bocas de fumo a céu aberto na UnB estão na mira da polícia
O campus foi dividido pelos criminosos, com pontos de venda definidos, onde o comércio de maconha predomina. De fevereiro a março, quatro acusados foram presos em operações da Polícia Civil
atualizado
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Um grupo de traficantes encontrou no campus da Universidade de Brasília (UnB) o terreno propício para repassar drogas aos usuários, a maioria estudantes da instituição. A região foi dividida pelos criminosos, com pontos de venda definidos, nos quais o livre comércio da maconha predomina. A ação dos distribuidores é alvo de investigação da Seção de Repressão às Drogas (SRD), da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte).
O Metrópoles teve acesso exclusivo aos vídeos que flagraram o movimento dos traficantes. Um dos pontos onde o grupo atua fica nos fundos do prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, no Instituto Central de Ciências (ICC) Norte. Os vídeos mostram como funciona a boca de fumo a céu aberto. O movimento é intenso durante o dia e avança pela madrugada. As imagens mostram três clientes negociando a compra de drogas simultaneamente.Rápidas, as transações não duram mais do que um minuto. Pilastras, árvores e locais pouco iluminados são os pontos preferidos do criminosos. Entre fevereiro e março, os investigadores que trabalham para identificar os traficantes prenderam quatro suspeitos.
https://youtu.be/rwoRBMf_ZbM
Durante uma das prisões, policiais foram até o apartamento do traficante preso, também na Asa Norte (veja vídeo), e encontraram parte da maconha que seria vendida dentro do campus da UnB. Escondido em uma gaveta, havia um pote de vidro com um tipo de maconha apelidado de “camarão” – uma versão mais pura, na qual a flor da erva passa por um processo de desidratação. Comum nas cidades praianas, o camarão sobe de preço nas regiões mais afastadas do mar.
Segundo o delegado-chefe da 2ª DP, Laércio Rossetto, agentes que fazem parte de um grupo de elite, especializado na investigação do tráfico de drogas, estão identificando e prendendo os traficantes que agem na UnB.
É um trabalho robusto do ponto de vista material. Juntamos muitas provas para garantir a condenação desses criminosos. Sabemos que existem outros traficantes atuando na região e, por isso, continuamos a levantar a identidade dos suspeitos e prendê-los.
Laércio Rossetto, delegado-chefe da 2ª DP
Compromisso
Rossetto destacou que firmou um compromisso com a universidade para tornar o campus mais seguro. Uma das ações envolve a repressão ao tráfico de drogas na região. “Tenho apoio e suporte da administração da universidade, o que contribui para o combate ao tráfico e a outros crimes”, afirma.
A reportagem procurou a Assessoria de Comunicação da universidade para falar sobre a ação dos traficantes dentro do campus. Por meio de nota, a instituição informou que “a UnB não pode interferir no trabalho e nas investigações da polícia, que, na maioria das vezes, correm em sigilo. Por isso, a reitoria não recebe informações de casos como esse”. Segundo a assessoria, a universidade tem reforçado a segurança privada no campus também.
