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Brasília é uma espécie de história em quadrinhos, certo? Afinal, a cidade possui a mesma disposição que uma delas: quadros grandes formados por quadros menores, que dialogam entre si, que compõem uma organizada estrutura maior, produzindo sentido. Brincadeiras à parte, faz sentido pensar que, ao perambular pela cidade entrando e saindo das quadras, na nossa rotina quadriculada, viramos personagens de um quadrinista chamado Lúcio Costa.

A partir disso, procurei pensar em como a cultura de quadrinhos da cidade pode ser influenciada por esta, digamos, tendência “natural” de Brasília em se organizar como esta forma de mídia. Sempre tivemos produção de quadrinhos por aqui, mas a questão é que, desde 2008 (com o lançamento da já clássica primeira revista “Samba“), há um crescente número de pessoas se dedicando a isso.

São coletivos, jornais, publicações independentes e artistas-solo. Os temas variam desde paródias e sátiras, a abordagens políticas, ficção-científica, poesia e manifestos feministas.

Talvez seja mesmo a cidade procurando replicar suas formas na expressão dos seus cidadãos (Athos Bulcão já não era assim?). Quem sabe? A questão é que Brasília está hoje bem cotada no mapa das produções em quadrinhos nacionais. E por isso resolvi destacar cinco publicações recentes de artistas daqui que certamente merecem a sua atenção.

Reprodução

 

QuadradinhasLucas Gehre (LTG Press, 2016): Gehre (filho do artista plástico Ralph Gehre) veio da geração da Samba e se especializou em um tipo muito específico de quadrinhos: a poesia. Suas Quadradinhas possuem formato fixo (geralmente nove quadros por página) e desenvolvem impressões, insights, olhares. É tocante como poucas coisas no quadrinho nacional.

Garota SiriricaLoveLove6 (Independente, 2015): LoveLove6 é o alter-ego de Gabriela Masson, talentosa quadrinista que chamou a atenção da internet com suas tiras da Garota Siririca. Uma espécie de sitcom altamente libertária focada especialmente na natureza do prazer feminino, com personagens realistas e engraçadas. A arte, muito colorida, tem forte personalidade, e o conteúdo é muito explícito e transgressor.

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Pimba – editado por Caio Gomez, Felipe Sobreiro e Leandro Mello (Independente, 2014-16): Este jornal de quadrinhos (que já tem 3 edições) é fruto do trabalho do coletivo de artistas e ilustradores Sindicato (705 Sul), e reúne não apenas os melhores quadrinistas de Brasília, mas também de fora da cidade. Além disso, contém textos literários, ilustrações e outras coisinhas mais, tudo envelopado na mais bacana diagramação. E o preço é bem baratinho: 5 pilas.

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Marco, o Macaco do Espaço – Daniel Lopes (Mês, 2015): Ricamente colorida e muito simpática no traço limpo de Daniel Lopes, esta história de ficção-científica quase “clássica” (estilo space-opera) procura emular a maneira como este tipo de quadrinhos (como Buck Rogers e Flash Gordon) era feito nos anos 1930 e 1940. Experimento inovador deste jovem autor que faz parte do coletivo Mês.

Topografias – Bárbara Malagoli, Julia Balthazar, LoveLove6, Mariana Paraizo, Puiupo, Taís Koshino (Piqui, 2016): Nem todas as autoras nesta publicação exclusivamente feminina são de Brasília, mas o selo Piqui (de Lívia Viganó e Taís Koshino) sim. Aqui nós temos seis histórias de alta qualidade expressando, cada uma, um tipo de subjetividade feminina, sem clichês. Vamos da ficção-científica, à colagem, ao drama íntimo.

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