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Na sala, uma garrafa de uísque 12 anos com 4,5 litros seduz quem olha para o bar de madeira típico das casas dos anos 1990. Ao lado dela, outros frascos com rótulos de vodka, amarula, licor e tequila. A promessa é um mergulho na embriaguez, mas seria como pular em uma piscina vazia. Nada é o que parece ser no reality show Casa das Brasileirinhas, cenário da maior produtora de filmes pornográficos da América Latina.

O garrafão foi trazido vazio de uma festa de casamento para ser puramente decorativo. Dentro dele, há chá. Nos outros vidros, nenhuma gota de álcool, apenas água. Em uma das caixas de bebida fina lê-se: “made for gentleman”. “Feito para cavalheiros” poderia ser o slogan de tudo o que é produzido ali.

Silicone na bunda — que se deforma depois de uma sentada –, prótese nos seios, plástica na vagina para diminuir os lábios, maquiagem para esconder qualquer imperfeição e um talento cênico para fingir prazer e desejo. Assim nasce uma estrela pornô. Elas seduzem as câmeras que transmitem a rotina da Casa das Brasileirinhas durante 24 horas, para assinantes na internet, quase todos homens.

O diretor, Ninja, em ação

O diretor, Ninja, em ação

 

O “Big Brother pornô” foi o formato encontrado pela produtora para sobreviver diante da variedade de filmes adultos disponíveis de graça na internet, que aniquilaram as vendas de DVDs. A cada semana, uma mulher muda-se para a casa e tem a sua vida monitorada na web. No fim do mês, os assinantes votam na melhor e ela volta para a casa, além de levar um prêmio em dinheiro.

A programação diária varia entre banhos sensuais, masturbação, aula de sexo oral, sexo anal, cena de sexo, pole dance, pompoarismo e chat com os assinantes. Tudo — inclusive o sono, idas ao banheiro, almoço e jantar — é feito diante das câmeras que estão em todos os cômodos do imóvel de 500 metros quadrados em um discreto e familiar condomínio fechado em Carapicuíba (SP), a 30 km da capital.

Brasileirinhas-17

“Faço o que gosto”, diz Angel

 

O que acontece lá dentro deixaria os vizinhos da casa, a tradicional família brasileira, de cabelo (e quem sabe outras coisas) em pé. O imóvel de dois andares com piscina e churrasqueira poderia ser o cenário ideal para o cotidiano de papai, mamãe e filhinhos. Mas de papai e mamãe não tem nada.

A sala e os quartos passariam-se por lugares comuns, se não fossem as manchas de sêmen nos sofás. Há uma foto de família em um porta-retrato, mas ela veio com a moldura e nunca foi retirada. Um dos banheiros tem decoração nada ortodoxa: uma coleção de pênis de plástico de todas as cores e tamanhos — um deles é réplica do pinto mais famoso do pornô brasileiro, o do Kid Bengala, ator e apresentador da Casa das Brasileirinhas.

A cozinha é no primeiro piso. Dali, saem todas as refeições. O cheiro do almoço invade a sala, enquanto uma das atrizes faz uma sessão de fotos completamente nua, num frio de 13ºC.

O escritório fica no andar de cima, tem computadores, editores de vídeo, telefones, como uma empresa qualquer, a não ser por detalhes como o recado carinhoso deixado no quadro branco de avisos, com uma letra delicada. “Desejo a todos muita putaria e sacanagem. Assinado: Cibelle”.

O condomínio é um daqueles lugares seguros, com porteiro, guarita, passarinhos cantando, casas com gramado e parquinho. Do lado de fora, as paredes da casa são pintadas de branco e bordô. Por dentro, os muros foram estendidos até mais perto do céu. Tudo para impedir que os vizinhos espiem. Quem nos recebe na porta é o diretor dos filmes, Gil Bendazon, o Ninja. Ele proíbe fotos da fachada, quer evitar problemas com quem mora ao lado. “Nunca tivemos problemas, alguns sabem, outros não. Mas procuramos ser discretos”, diz o diretor.

Pereira / Metrópoles

 

A única reclamação dos vizinhos veio de um dia de música alta. Era a gravação de um filme pornô no qual a orgia rolava em um churrasco, com banda de pagode ao vivo e tudo, no quintal da casa. Inocentes, os moradores pensaram se tratar de uma festa qualquer. Mal podiam imaginar que o sexo comia solto, logo ali, atrás do muro.

Há 1 ano e 8 meses, esse é o cenário do reality show pornô e dos filmes adultos gravados pela produtora mais famosa do Brasil. Antes disso, a casa ficava em Praia Grande (SP), vizinha a uma escola. “Na hora da saída do colégio, a gente parava de gravar, porque tinha muito barulho de criança, podia entrar na gravação e alguém podia pensar que tinha criança na casa”, lembra o diretor.

O atual dono da Brasileirinhas, Clayton Nunes, revela que o reality hoje tem 20 mil assinaturas e os sites da produtora recebem mais de 6 milhões de usuários únicos por mês. Fundada por Luis Alvarenga, a Brasileirinhas completou 20 anos em 2016 e faz parte da história de todo mundo que assistiu pornografia escondido de madrugada na TV. Teve seu auge quando contratou famosos como Alexandre Frota e Rita Cadillac para estrelar os filmes.

Tudo começou com uma câmera alugada para produzir pornografia em VHS e depois em DVD. Foi Clayton, o segundo dono, que teve a ideia de sucesso de vender DVDs em postos de gasolina e bancas de jornal, além de estabelecer o formato de reality show, que hoje é o carro-chefe da marca.

As cenas de sexo transmitidas no reality viram filmes depois. São 36 títulos lançados por ano. É Clayton quem faz o roteiro. “Sempre pesquiso sites de contos eróticos, isso sempre ajuda bastante, leio e depois reescrevo”, diz. O homem espia a vizinha pela janela. Ela o convida para entrar. Os dois terminam no sofá de casa, transando loucamente. Ela está por cima dele, com uma bunda redonda e enorme, cavalga sem dó, incansável. Até que uma mão toca as costas do homem, com um aviso silencioso: ainda não é hora de gozar.

Pereira / Metrópoles

As definições de corta-tesão foram atualizadas. “Eu vejo que a cabeça do pinto dele está inchada e que ele vai gozar, aí já levo a mão nas costas dele e interrompo a cena”, explica Ninja. Ele, que também trabalha com audiovisual fora da indústria pornô, cobre o rosto durante as gravações e entrevistas com uma máscara preta, para não ser reconhecido.

“As pessoas são muito hipócritas e rola preconceito. O meio musical, por exemplo, tem muito mais putaria do que num filme pornô”, afirma. Em 15 anos de profissão, o diretor diz só ter tido uma ereção durante as filmagens. “Foi quando duas gringas se pegaram com muita vontade numa cena”, lembra.

Diariamente, a Brasileirinhas recebe centenas de mensagens de homens e mulheres que desejam carreira nessa área. As atrizes ganham entre R$ 3 mil e R$ 5 mil reais, a depender de quantas cenas de sexo farão por filme. Já os atores recebem R$ 500 por 2 horas. Embora pareça ser uma das poucas áreas nas quais mulheres são mais bem pagas do que os homens, não se engane, é um mercado predominantemente masculino nos “cargos de chefia”.

Não é comum uma atriz pornô enriquecer com os filmes. Os mais bem remunerados, no fim das contas, são os homens à frente da empresa, como o dono Clayton Nunes, que enriqueceu sem aparecer diante das câmeras nem para dar entrevista. Ele preserva a própria imagem.

A grande maioria das meninas não tem um patrimônio. Muitas não têm nem carro. Elas gastam tudo com o corpo, geralmente"
Ninja

A maior dificuldade é encontrar homens capacitados para o papel. Com a falta de mão de obra, a produtora sorteia assinantes para experimentarem um dia como ator pornô, mas a maioria deles brocha. “Todo mundo se diz comedor. Muitos homens acham que dariam ótimos atores pornôs, mas não imaginam a dificuldade que é ficar uma hora de pau duro, gozar só quando mandam, ter uma câmera em cima de você o tempo todo, diretor, fotógrafo… A maioria não dá conta do recado”, diz Ninja.

Uma cena de sexo pode durar uma, duas, até três horas. Depende do desempenho dos atores. Todos os homens tomam viagra e alguns já chegaram a aplicar estimulantes injetáveis direto no pênis, mas esse método não é usado na Brasileirinhas, segundo Ninja.

A conta mensal da empresa em itens de farmácia fica entre R$ 1.500 e R$ 2 mil, gastos em preservativos, lubrificantes, Viagra e Minilax (um medicamento que regula o intestino). Nesse momento, você se pergunta o porquê do Minilax. “O assinante quer ver o que ele não tem em casa. As cenas mais acessadas são as de sexo anal. É disparada a preferência”, revela o diretor.

O sexo mostrado ali, violento e submisso, é chamado de “hardcore”. Causa rejeição a uma parcela significativa das mulheres do mundo real. O discurso feminista abomina o tratamento dado às atrizes e acusa a indústria pornô de incentivar o comportamento abusivo e a cultura de estupro, já que o desconforto é nítido no semblante de algumas atrizes. Mas nada disso importa para quem produz os filmes. Afinal, o machismo se converte em dinheiro.

Pereira / Metrópoles

A decoração do banheiro da casa.

“A gente tem vários filmes que têm enredo, história, cenários mais elaborados, com produção mais cara, sem o sexo muito hardcore como a maioria dos nossos filmes. Esses são os filmes menos assistidos do site e os que mais têm reclamações. Só para você ter uma ideia: tem alguns atores que a gente mantém para sair uma cena mais diferente, mais romântica e o pessoal reclama muito dizendo que esse ator quer namorar com a atriz. Dizem: que droga de cena, se for para namorar ele que vá fazer isso na casa dele”, relata Clayton.

O site oficial da Brasileirinhas tem uma seção com sugestões “para mulheres”, mas ainda predomina o clichê de que “mulher gosta de historinha”. Há um longo caminho até a interpretação do tesão feminino.

Eu tenho uma teoria: mulher quando quer sexo sai para a rua e faz sexo. Já o homem que quer sexo sai, dá em cima da mulherada, volta para casa sozinho e entra no brasileirinhas.com.br"
Clayton Nunes, dono da Brasileirinhas

O gozo feminino no pornô é quase sempre fictício. Uma das maiores estrelas do ramo, Mônica Mattos, que já ganhou o Oscar dos filmes pornôs, afirmou em uma entrevista que nunca teve um orgasmo real diante das câmeras. “Eu costumo dizer que o prazer que eu sentia era psicológico. Porque eu sou um pouco exibicionista, então, eu tinha aquele prazer em saber que o pessoal estava assistindo, mas prazer físico eu nunca senti”, afirmou.

Uma das atrizes mais famosas da atualidade, Angel Lima, 26 anos, que fazia parte do Teste de Fidelidade, na Rede TV, garante sentir prazer. Ela tem fã-clubes, já ganhou quatro “Oscars do pornô” e voltou à ativa recentemente, após pausa de um ano na carreira por conta de uma gravidez.

Foi uma das participantes da casa em setembro, quando estivemos lá. “Eu faço o que gosto e adoro sexo. Sou exibicionista, gosto de ser desejada, de saber que vão me ver e vão sentir prazer. Não me sinto um objeto nem usada. Há vários trabalhos que eu não faço, como zoofilia, essa coisas”, diz.

Pereira / Metrópoles

Angel Lima era casada e dona de casa, em Santa Catarina. Após separar-se, recebeu um convite de um amigo que era ator pornô e topou entrar nesse mercado. Há três anos, siliconou o bumbum, os seios e vive na academia. Nunca teve outra profissão nem se imagina fazendo outra coisa. É uma das preferidas dos assinantes e o site chega a sair do ar com a quantidade de acessos quando é ela quem está na casa. “Angel é fácil de dirigir, de fotografar, porque é nítido que ela gosta disso, é uma ninfomaníaca”, afirma Ninja.

Pereira / Metrópoles

Apesar desse discurso, basta olhar para o lado para ver que a vida de quem faz pornô pode não ter glamour algum. Naquela semana, quando Angel entrou na Casa das Brasileirinhas, ela substituiu Samira Cristina Andretto, 36 anos, mais conhecida como Syang.

Com um demônio tatuado no pescoço, alta, magra e com os cabelos castigados pelo descolorante, Syang topou entrar na casa para descansar. Ela faz trabalhos para a produtora há 11 anos e não recusou nem os papéis mais rechaçados, como os que incluíam sexo com animais. Tudo por dinheiro. “Acho que pagam pouco na Casa das Brasileirinhas, mas aceitei o convite para dar um tempo lá de fora. Aqui tem comida boa, tem fruta, empregada, tratam a gente bem”, diz.

Inquieta, ansiosa e com o nariz escorrendo, Syang ao ser liberada pelo diretor, no fim do dia, comemorou. “Vou passar a noite em um hotel trabalhando”, disse. Ela faz programas “na noite”, distante dessa atmosfera de luxo e sedução. 

“Quem faz programa na rua geralmente se droga para conseguir aguentar”, relata o diretor. As mulheres, entretanto, assinam contrato ao entrar na casa e uma das cláusulas inclui não usar drogas durante os sete dias em que terão a rotina exposta 24 horas na internet.

Pereira/Metrópoles

Samira adotou o nome artístico de Syang

 

Já tentei provar para mim mesma que era capaz de fazer outra coisa. Abri restaurante e um salão de beleza, mas não deu certo"
Syang, atriz pornô

Muitas vezes, as confidentes das garotas estão nos bastidores. A maquiadora Luana (nome fictício) é um dos ombros amigos mais requisitados. Entrou nesse ramo a convite de uma colega e já chegou a ganhar R$ 1 mil por semana. Ela não mostra o rosto, pois a família não sabe que ela trabalha na Brasileirinhas. “As pessoas confundem as coisas, podiam achar que eu faço filme. Todo mundo só ia querer falar disso comigo o tempo todo”, justifica a profissional.

Luana nunca esquecerá a primeira vez em que esteve num set de filmagem pornô. Ela se diz “muito feminista” e demorou a se acostumar com o ambiente. “Gravavam em um hotel e não era a Brasileirinhas. Tinha uma mulher pequena, frágil, toda encolhida num sofá. Era a primeira vez dela num filme e era cena com quatro caras. Depois, ela veio toda suja, querendo me abraçar, ela só chorava, em choque. Dei banho nela. Algumas “modelos” são enganadas pelos cafetões”, relata. As cenas de sexo grupal são chamadas de “gang bang” e a maioria das atrizes se recusa a fazê-las pela violência. Muitas saem delas machucadas.

Apesar das histórias chocantes, a maquiadora tira proveito da profissão. Ela leva calcinhas usadas pelas atrizes para o personal trainer na academia e, em troca, não precisa pagar pela assistência. “Elas mandam a calcinha com um recadinho ou um vídeo dizendo que é presente para ele, que fica todo feliz.Também observo as cenas e aprendo algumas coisas sobre sedução, umas técnicas bem poderosas. Aprendi a me valorizar na cama, sei quais posições me favorecem”, afirma.

Além de Luana, há outra mulher na casa que não está ali para fazer sexo. Quem cuida da cozinha e da limpeza é Maria. Católica, ela tenta catequizar as atrizes sempre que tem oportunidade. “Eu não vejo quando tá gravando, mas tenho que recolher e lavar os lençóis. Sempre digo para elas: quem conhece seu coração é o Pai e ninguém pode te julgar.” A família dela sabe onde ela trabalha. “Meu marido vê, meu filho vê. Então, o que teria demais em trabalhar aqui?”, questiona.

Pedro Bilau
A estrela masculina da Brasileirinhas, o ícone Kid Bengala, só chega à casa no fim do dia, cheio de marra, vestindo uma calça cor-de-rosa, All Star de couro branco e blusa de moletom, além de um Rayban. Aos 61 anos, continua cheio de energia. Apresenta as mulheres que estarão na casa, interage com o público e, é claro, dá uma palinha do que é ser ator pornô. Nem todas as garotas encaram os 29 cm de pênis do Kid; ou cobram mais caro para transar com ele. As que aceitam, fazem uma cena apenas. “Ele é o nosso Pedro Bilau”, brinca Clayton.

Kid Bengala começou a carreira nos anos 1990, no Rio de Janeiro. Nascido em Santos (SP), ele era projetista e sonhava formar-se engenheiro mecânico. Nas horas vagas, participava de várias surubas. “Sou um tarado, um putão. Graças a Deus que sou ator pornô, porque nem sei se já não teria sido preso se não fosse”, confessa.

O convite para o primeiro filme veio após Kid, que na verdade se chama Clóvis, posar nu para uma revista. De lá para cá, ele diz ter feito sexo com 7 mil mulheres. “Quem fala número exato tá mentindo. Então, é igual pesquisa eleitoral, uns pontos para mais outros para menos, mas fica nessa média aí”, diz, aos risos. O ator admite ter brochado somente duas vezes na vida, todas em cena: uma aos 23 anos e outra, aos 49.

Pereira / Metrópoles

Kid já foi casado três vezes — apesar de não acreditar em monogamia nem para homens nem para mulheres –, tem três filhos e é avô de uma menina. “Minha família não tem problema nenhum com minha profissão. Os filhos têm orgulho do pai, os amigos deles acham o máximo”, diz.

O ator se considera um homem espiritualizado e já foi evangélico, católico e frequentou o seicho-no-ie e a umbanda. “No dia que me aposentar, vou virar pastor. Tô pensando no nome da minha igreja”. A saída de cena, porém, ainda não tem data. “Hoje, trabalho por prazer. Tenho várias casas e um patrimônio que construí com o pau, devia botá-lo num seguro.”

Quando Kid aparece no site, os usuários vão à loucura. “A maioria do nosso público é de homens. Eles querem se imaginar no lugar do cara. Então, querem ver o pau entrando e a mulher gozando, querem ver a garota e o pênis”, explica o diretor Ninja.

Dirigir Kid Bengala em cena é tarefa impossível. “O Kid é indirigível. Tivemos que lapidar o jeito dele para os tempos atuais, para ele ser mais conquistador com as meninas. O público de hoje não quer que o ator diga: vou comer seu cuzinho. Ele quer que o cara conquiste o cuzinho. A mulher tem que ser tratada como rainha”, relata.

Kid Bengala é um personagem, caricatura do macho viril. Ainda assim, não se considera machista. “Mulher tem que ter a mesma liberdade sexual que homem, tem que transar com quem quiser”. Mas contradiz a imagem que deseja passar quando insiste para fazer sexo com uma atriz, durante a transmissão do reality para a internet. Ela nega a transa dezenas de vezes. Até que ele desiste e, naquela noite, é Clóvis quem vai para casa rejeitado.

 

  • Sete perguntas para Clayton Nunes, o dono da Brasileirinhas

Qual foi o filme de maior sucesso da história de vocês e qual a média de audiência? Quanto lucro ele gerou?
É muito difícil dizer isso, porque no decorrer dos anos as mídias mudaram. O “La Conga Sexy”, da Gretchen, sem dúvida foi o de maior destaque. O filme foi o que mais vendeu nas locadoras e foi lançado em VHS e DVD. Já o “Frota com a Bianca Soares” foi o filme mais assistido pelos nossos sites. Nas bancas de jornais, a “Vivi Fernandes” foi o DVD mais vendido. Difícil dizer o quanto de lucro cada um deu, porque com a mudança de mídia do VHS para o DVD de locadora, do DVD de locadora para o DVD de banca de jornal, fomos para TV a cabo e agora para a internet. Então, para fazer a rentabilidade do produto por cadeia realmente é um trabalho bastante difícil.

Quem é o principal público de vocês?
Nos nossos sites de filmes estilo Netflix (brasileirinhas.com.br , sexsites.com.br, sexxxy.porn, explicitafilmes.com.br, buttman.com.br), temos 72% de homens e 28% de mulheres. 45% dos usuários estão entre 18 e 24 anos, 28% entre 25 e 34 anos, 14,16% entre 35 e 44 anos, 5,12% entre 45 e 54 anos, 4,25% entre 55 e 64 anos e 2,13% têm mais de 65 anos.

Geograficamente falando, 29,07% são de São Paulo; em segundo, Rio de Janeiro (11,18%), depois Minas Gerais (10,32%); Bahia (6,45%), Paraná (5,46%), Rio Grande do Sul (4,9%), Pernambuco (4,38%), Ceará (3,89%),  Santa Catarina (3,09%) e Paraíba (2,64%).

No nosso site que é um reality show, onde produzimos nossos filmes, existe uma interatividade. Você pode conversar com as atrizes e é transmitido pela internet 24 horas por dia. Você acompanha o dia a dia das atrizes pornôs, vê como elas acordam, se têm bom humor ou mau humor, enfim, desmistifica o mito que sempre aparece maquiada nos filmes, o sexo muda e o número de mulheres aumenta bastante — vai para 44%.

Quantas pessoas, em média, estão envolvidas na produção de um filme?
Já tivemos cinegrafista, diretor, maquiador, fotógrafo e roteirista e, às vezes, curiosos, tudo no set de filmagem, era um furdúncio só. Aí vi uma produtora pequena nacional ser indicada ao Oscar do pornô mundial (o AVN) e fui perguntar para os atores como eram as gravações e eles disseram que era apenas o diretor, o ator e a atriz e, nas horas certas, caso precisasse, ele parava a gravação para retocar a maquiagem. Vi que esse clima intimista conseguia tirar mais dos atores e atrizes e aí trouxemos o nosso atual diretor, Gil Bendazon, para trabalhar com a gente.  Quem passa a ideia do filme sou eu e quem roteiriza é o editor e o diretor.

Há alguns anos, houve boato de que a Brasileirinhas ia fechar. A crise afetou os negócios de vocês?
Na verdade, foi uma confusão que um jornalista do jornal “O Globo” fez quando findamos a parceria com a Band, no canal de TV a cabo Brasileirinhas, que hoje se chama Sexyprive. A Band deu uma declaração que o canal Brasileirinhas havia fechado e que agora seria Sexyprive e o jornalista publicou que a brasileirinhas havia fechado. A errata saiu no outro dia, mas não teve a repercussão devida.

Quantos empregos a Brasileirinhas gera?
Hoje temos 21 CLTs, cinco freelancers (fotógrafo, editor, maquiadora), seis atores e mais umas 40 atrizes por ano.

Qual é o faturamento anual da Brasileirinhas?
Há algo mais relevante que o faturamento, que é a lucratividade. Já tivemos fases em que nosso faturamento chegou a ser muito expressivo, passou de milhões, porém, tínhamos um custo para enviar o produto que representava 40% do valor final, mais a comissão de vendas de 10%. A produção de DVD representava 10%, o custo operacional com funcionários e mão de obra representava mais 20% e o custo de produção chegava a mais 15%. Nos sobrava algo em torno de 5% de rentabilidade, às vezes, até 3%. Hoje, temos uma empresa com um faturamento pequeno, mas conseguimos manter a rentabilidade em torno de 40%, que é um resultado bem legal para qualquer empresa saudável.

De onde vem a maior parte da renda?
Hoje, 70% do nosso faturamento vem da internet.

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