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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai prestar nesta quarta-feira (13/9), em Curitiba (PR), o segundo depoimento ao juiz federal Sérgio Moro em situação diferente da que enfrentou em maio. À época, o petista esteve pela primeira vez frente a frente com o magistrado responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância. A amplitude da mobilização em apoio ao petista será menor.

Lula chegou à capital paranaense na noite desta terça (12). Segundo o ex-ministro Gilberto Carvalho, o ex-presidente chegou “bem” e está hospedado na casa de um amigo. Auxiliares do petista divergem sobre o motivo pelo qual Lula descartou a viagem de avião. Alguns afirmam que a negativa ocorreu por causa do alto custo de aluguel de jato.

Já o ex-ministro Alexandre Padilha, vice-presidente do PT, disse que foi por uma questão de comodidade. “Foi opção dele para não ter que fixar horário. Outro dia Lula foi ao Rio (de Janeiro) de carro e gostou. Assim viaja mais discreto”, contou.

O juiz Sérgio Moro, por sua vez, chegou à sede da Justiça Federal às 10h, quatro horas antes do horário previsto para o início do depoimento.

Protesto
Um grupo de manifestantes pró-Lula chegou por volta das 11h às proximidades do prédio da Justiça Federal. A maioria deles veste camisetas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os apoiadores do ex-presidente chegaram em 10 ônibus, portando faixas e instrumentos musicais.

Pessoas favoráveis à Lava Jato e ao juiz Moro, que passam pelo local, se agridem verbalmente. Um grupo de cerca de 100 militantes petistas e do Partido da Causa Operária (PCO) se concentram nas proximidades exibindo faixas de apoio a Lula e pedindo a anulação do impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff (PT).

Um forte esquema de policiamento foi montado nos arredores do prédio. A circulação de veículos está proibida e a de pedestres só é permitida com identificação. O clima por enquanto é de tranquilidade.

A exemplo do primeiro depoimento, o PT e movimentos alinhados a Lula marcaram um ato para a tarde desta quarta-feira, agora na Praça Generoso Marques, no centro de Curitiba. Porém, até mesmo aliados do petista estimam um número muito menor de participantes.

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná afirmou que o efetivo do esquema de segurança para o segundo depoimento do petista será menor do que o de maio, quando foram mobilizados 3 mil agentes. Na ocasião, entidades de apoio ao ex-presidente calcularam em 30 mil os manifestantes. Para esta quarta, a pasta espera 5 mil apoiadores de Lula.

Terreno
O depoimento, desta vez, faz parte da ação penal em que Lula é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro supostamente por ter recebido recursos da Odebrecht para a compra de um terreno destinado a abrigar a sede do Instituto Lula em São Paulo e de um apartamento vizinho ao do petista em São Bernardo do Campo (SP).

Quando esteve diante de Moro em Curitiba pela primeira vez, em maio, Lula prestou depoimento no caso do triplex do Guarujá (SP). Posteriormente, o petista foi condenado naquela ação a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Carvalho considerou que o depoimento do ex-ministro Antonio Palocci pode ter influência na oitiva. O ex-homem forte do PT disse, também a Moro, que Lula fez um “pacto de sangue” com a empreiteira Odebrecht. “O Moro pode querer usar o depoimento do Palocci”, disse o ex-ministro.

Palocci
Além de Lula, a força-tarefa da Lava Jato poderá tomar nesta quarta o depoimento de Branislav Kontic, ex-assessor especial da Casa Civil e braço direito do ex-ministro Antonio Palocci — que está preso.

A informação é da assessoria de imprensa da Justiça Federal paranaense. A realização da oitiva de Branislav pela equipe comandada pelo juiz Sérgio Moro, vai depender do quanto demorar o depoimento de Lula. O depoimento do ex-braço direito de Palocci foi marcado para depois que Moro ouvir Lula.

 

 

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