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Getúlio Abelha, o forrozeiro que mistura Calcinha Preta e Britney

O cantor está ganhando fama no Brasil inteiro com um jeito inusitado de refazer o ritmo nordestino

atualizado

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ABELHA
1 de 1 ABELHA - Foto: Divulgação

Se você ainda não ouviu falar de Getúlio Abelha prepare-se porque a partir de novembro o nome dele vai estourar. E não sou eu que estou dizendo isso, são os festivais de música pelo país.

Para começo de conversa, Abelha é um cantor de forró. Quando ele saiu de um bar às pressas, decidido a escrever o hit do verão, ele mirava no grupo Calcinha Preta. A composição da letra, da melodia, a performance do clipe, tudo vem dos forrós que ele escutava na infância (Limão com Mel, Tropikália, Mastruz com Leite). Até seu nome artístico foi composto usando o sobrenome da cantora Paulinha Abelha, vocalista da Calcinha.

Nascido em Teresina, foi para Fortaleza cursar Teatro na Universidade Federal do Ceará. Seis anos se passaram sem concluir o curso. Todos aqueles pensadores da arte dramática e seus textos milenares não davam voz ao que o jovem queria dizer nos palcos. Essa vontade de quebrar as estruturas levou à criação de Vagabundos, uma peça sem texto ou personagens, mas com 25 atores em cena.

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Depois dessa experiência exitosa, gerou-se uma certa expectativa que ele fosse para uma cidade maior e mais receptiva a seu talento. Ele então pegou suas coisas e partiu rumo a Florianópolis (SC). Numa jornada de um ano – seis meses de ida, seis de volta –, Getúlio ia para onde o vento o levasse, chegando até a Argentina. Conhecendo pessoas, arrumando trabalhos, descobrindo o mundo e a si mesmo. De volta a Fortaleza, resolveu assumir para si mesmo: seria cantor de forró.

O primeiro ponto que poderia afastá-lo do estilo seria sua voz gave – o gênero é, historicamente, dominado por cantoras de vozes extremamente agudas. Ele, então, buscou referência em Zé Ramalho e seu tom profundo e nordestino.

“Sou forrozeiro, mas não sou raparigueiro”. Qual estética você usa para compor o visual das suas apresentações? “Das cantoras pop, como a Madonna”, conta o rapaz que, na adolescência, alcançou certa notoriedade ao ter Britney Spears sentada sobre seus ombros com direito a beijar uma das coxas da cantora. Isto aconteceu diante de milhares de pessoas durante um show no Rio Janeiro.

O début do artista aconteceu na festival Maloca Dragão, em abril. Getúlio abriu a noite que teria Letrux, Linn da Quebrada e Silvero Pereira. O resultado do show foi uma plateia ensandecida e uma agenda de turnês a partir de novembro em vários festivais do país, passando por Belém, Recife e Florianópolis. Em São Paulo, seu show será no SIM SP (Semana Internacional de Música) e, em todos eles, seu nome é apresentado como uma grande promessa.

Sua trajetória lembra John Waters e Divine. Vindos de um lugar tido como sem graça nos EUA, eles se utilizavam da estética mais quadrada e conservadora para expor conteúdos perturbadores e tidos como imorais. Até o dia em que o público ficou pronto para consumir esse tipo de produção.

Vejo as pessoas tentando rotular Getúlio unicamente pelo deboche e o escracho. Não que não haja. Mas não mencionar seu resgate ao forró dos anos 2000, sua provocação à crise da masculinidade ou à onda conservadora hipócrita, é cuspir nesse corajoso prato posto à mesa.

E no fim, Abelha está é comendo todos vocês.

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