A cena de sexo (gay) representa a sociedade atual, mas com outra roupa

As restrições à exposição do sexo gay na TV brasileira são praticamente as mesmas do sexo hétero das décadas de 1940 aos 1960

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1 de 1 liberdade liberdade - Foto: Reality Social/Twitter/Reprodução

Pois é, aconteceu. A primeira cena de sexo gay da TV brasileira foi ao ar. Surpreendentemente, as instituições continuam funcionando, a tradicional família brasileira não se acabou, a sociedade está intacta e o céu continua sobre nossas cabeças. Tudo está como antes. Ou será que não?

A cena foi ao ar na terça-feira (14/7) e quem não viu está disponível no YouTube e até no site oficial da Globo. Qualquer pessoa pode ver. E dela a gente pode perceber várias coisas.

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A primeira cena de sexo gay foi sem palavras, teve uma trilha sonora clássica, foi de uma beleza plástica, como num balé, aconteceu no século 18 e protagonizada por dois atores com beleza bem padrão. Lembrou vários momentos típicos do cinema dos anos 1940 aos 1960, que se aproximam muito mais de uma insinuação sexual do que do ato em si.

Na verdade, as restrições à exposição do sexo gay na TV brasileira são praticamente as mesmas do sexo hétero naquele tempo. No fim, tudo ficava com a mesma cara. A mulher abria o sutiã, o cara desabotoava a calça, uma blusa caía no chão, um beijo mais caloroso no pescoço e um sapato de salto alto estava caído no pé da cama. Corta. No dia seguinte, a mulher sai do banheiro com o cabelo despenteado. Quantas e quantas sequências dessas foram editadas ao longo da história do cinema…

Na novela da Globo, a sequência foi eficiente. Deixou claro que houve ato sexual por conta de um sentimento pulsante que torturava os dois personagens – sentimento tão óbvio quanto o fato de que o cara mais afeminado era quem viraria de costas para o mais másculo, numa óbvia e errônea relação entre feminilidade e ser passivo na relação sexual.

máximo de movimentação foi o de uma mão. Isso mesmo, uma mão. Teve um cara nu deitado de costas com outro nu deitado do lado dele, numa posição impossível de estar rolando uma penetração, e sua mão passando pelas costas do outro.

Me lembrou a situação vivida no filme “Mrs. Henderson Apresenta”, em que uma velinha viúva resolve contrariar a lei inglesa que proibia mulheres nuas no teatro. Ela questiona porque não eram proibidas as mulheres nuas nos museus, em estátuas e quadros, mas no teatro, sim. Até ouvir a absurda resposta de que elas estariam paradas.

Pronto, aí estava a solução: as mulheres nuas do seu teatro ficariam paradinhas, igual às dos museus, só que de carne e osso. Esse conceito da nudez parada pode soar engraçado, mas mais uma vez se prova eficiente para apaziguar hipocrisias, como a da cena de sexo gay.

Ao que parece, o sexo gay não passará impunemente. Ele vai ser descoberto e julgado pela sociedade mineira da época da inconfidência — tempo histórico onde se passa a novela. E condenado, é claro. Com pena de morte, obviamente. Diferente da cena de sexo, que é simplesmente insinuada, a punição desses personagens, por terem um relacionamento, é o mais real possível. 

O mais triste disso tudo não é que a situação vivida por eles seja uma curiosidade histórica. Ela tem um odor de metáfora dos dias atuais. Ela não soa nem como associação, ela é uma representação exata de uma parcela da sociedade e das instituições do século 21, só que com outra roupa e peruca. Isso sim é mais preocupante do que dois personagens fazerem sexo gay na TV brasileira.

(Sugestão de leitura: releia o texto sem ler as palavras riscadas e observe a falta de sentido de todo esse debate sobre a cena de sexo gay)

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