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Farmar aura: gíria das novas gerações vira concurso em Teresina

Um anúncio falso reuniu adolescentes em um parque de Teresina, onde eles transformaram a ideia em uma competição de farmar aura

29/06/2026 02:00, atualizado 29/06/2026 11:15
Arte/Metrópoles
Farmar aura: gíria das novas gerações vira concurso em Teresina

Um post falso, publicado por uma página de fofocas de Teresina (PI), anunciou o 1º Campeonato de Farmar Aura: data, local e prêmios de R$ 500 para o vencedor e uma cesta básica para o segundo colocado. Bastou isso para reunir dezenas de crianças e adolescentes no Parque da Cidadania, no sábado (20/6) — todos ali para “farmar aura”.

O termo cunhado pela geração alpha descreve comportamentos vistos como estilosos ou impressionantes, capazes de conquistar admiração de quem está por perto. A tendência mistura gírias, gestos e danças populares entre os mais jovens.

Na hora marcada, ninguém sabia se a disputa realmente aconteceria. Ainda assim, a garotada já ensaiava passos, poses e gestos, ansiosa para mostrar a própria “aura”. Ao notar o movimento, o influenciador piauiense Stanley Rafael, de 25 anos, resolveu assumir a organização.

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Acrobacias e malabarismo fizeram parte das apresentações.
Alguns competidores apresentaram rimas, enquanto outro optou por poses de fisioculturismo.
Participantes também apostaram no uso de fogo em truques de mágica e saltos mortais.
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Participantes também apostaram no uso de fogo em truques de mágica e saltos mortais.

Arquivo pessoal/Stanley Rafael
Acrobacias e malabarismo fizeram parte das apresentações.
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Acrobacias e malabarismo fizeram parte das apresentações.

Arquivo pessoal/Stanley Rafael
Alguns competidores apresentaram rimas, enquanto outro optou por poses de fisioculturismo.
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Alguns competidores apresentaram rimas, enquanto outro optou por poses de fisioculturismo.

Arquivo pessoal/Stanley Rafael

Com a ajuda de dois amigos, ele reuniu R$ 150 para premiar o vencedor e providenciou caixa de som e microfone para conduzir tudo. “Quando eu cheguei lá no local, não tinha evento nenhum, mas tinha as pessoas. Só que elas estavam dispersas, com vergonha”, contou.

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Apesar da timidez inicial, a brincadeira virou palco para as mais diversas habilidades: passos de dança, malabarismo, poses de fisiculturismo e saltos radicais. Rafael, que também é criador de conteúdo, registrou tudo. O vídeo se espalhou pelo Brasil e já passa de quatro milhões de visualizações.

O prêmio de R$ 150 foi dividido entre um grupo de cinco participantes, autointitulado Suvaco de Cobra. O segundo lugar ficou com o estudante Kauan Fernando, de 16 anos, que, ao lado de um amigo, preparou um chapéu especialmente para o evento, feito com material dourado cintilante e com os números 6 e 7 estampados. Os algarismos são associados os fenômeno digital.

“Eu já cheguei rasgando a camisa e fazendo mewing [forçar a língua contra o céu da boca para marcar o maxilar”, contou.

O adorno não foi o único atrativo da apresentação do vice-campeão. Ele relata que rasgou a camisa, fez a tradicional dança six-seven e ainda exibiu poses de fisiculturista, modalidade pela qual é apaixonado. O estudante avalia a participação como um momento de diversão e pretende levar a mãe à próxima edição: “A minha mãe ficou super feliz, disse que eu fiquei famoso”.

Com o resultado, Rafael já prepara uma segunda etapa — agora com prêmios de R$ 500 e R$ 100. Ao lado dos amigos Murilo Arthur e Nando, ele pediu que os próximos participantes levem um alimento para doação. Segundo o influenciador, a iniciativa não tem apoio da Prefeitura: o valor saiu do bolso dos próprios organizadores.

Para ele, esse tipo de encontro tira crianças e adolescentes do ambiente virtual, onde o fenômeno nasceu e ganhou força. Muitas amizades e conversas surgiram ali, entre jovens acostumados ao universo digital.

“Muitas mães me agradeceram, me mandaram mensagem: ‘Eu fiquei tão feliz por ver meu filho ali brincando, se divertindo, sorrindo’. Às vezes o filho fica isolado, no quarto, com depressão, com ansiedade. Ter um momento desses é bom para a criança e o adolescente se divertirem”, relata Rafael.

Montagem com fotos de adolescente usando chapéu decorado
Junto do amigo José, o vice-campeão Kauan preparou um chapéu especialmente para o evento, que quase não aconteceu.

O que é farmar aura?

Não existe consenso ou definição fechada sobre o termo. “Farmar” vem de jogos como Minecraft, em que a ação significa acumular recursos, pontuação ou experiência. Já aura é a energia única que cada pessoa transmite. Juntos, virou sinônimo de adotar posturas que somam pontos de estilo e ajudam a passar uma imagem interessante, inspiradora ou descolada.

A tendência também trouxe outros termos, como sigma e beta, usados para quem tem sucesso ou fracassa nessa busca, respectivamente.

Uma das formas mais comuns é a dança six-seven, viral nas redes. Os passos nasceram da cultura brain rot, que cria memes e expressões sem sentido concreto, geralmente compartilhados por adolescentes — e foi reproduzida por diversos participantes em Teresina.

Fernando, que cursa o primeiro ano do ensino médio, define a sensação como “ter uma aura absurda”: uma energia que chama atenção ao entrar em um ambiente. Apaixonado por fisiculturismo, guarda no quarto uma foto em que aparece posando e exibindo os músculos numa competição. Ao mostrar a imagem, brinca: “Muita aura. Exalando aura”.