A surpreendente história da brasileira enganada por um espião russo
História de Stephanie Arcanjo viralizou após episódio da Rádio Novelo revelar que o namorado dela era um agente russo infiltrado
atualizado
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O que parecia uma história de amor digna de filme acabou revelando uma trama internacional de espionagem. A trajetória de Stephanie Arcanjo, brasileira que se apaixonou por um homem que anos depois descobriu ser um agente russo infiltrado, viralizou nas redes sociais após ser contada em um episódio recente da Rádio Novelo.
Tudo começou em 2018, quando Stephanie conheceu Eric Fauchere Lopes na porta de uma casa noturna em São Paulo, onde trabalhava como hostess. Gentil, romântico e educado, ele se apresentava como um brasileiro nascido no Rio de Janeiro, mas criado entre França e Bélgica, justificativa perfeita para o sotaque carregado e o português impecável.
Diferente dos homens que ela costumava conhecer, Eric levava flores, convidava para almoços e dizia gostar de exercer o papel de “provedor”. Na época, Stephanie trabalhava como faxineira durante a semana para sustentar a filha. Aos poucos, ele passou a incentivá-la a abandonar os empregos e entrar no mundo dos negócios ao lado dele.
Foi assim que surgiu a Esfel, uma joalheria de luxo aberta na Avenida Paulista. Eric ensinou Stephanie sobre pedras preciosas, marketing digital, Photoshop e vendas. Enquanto ela administrava o dia a dia da empresa, ele dizia cuidar dos investimentos e do desenho das joias.
Comportamentos estranhos e obsessão por Putin
Em 2021, o casal se mudou para Brasília. Eles passaram a viver em uma mansão no Jardim Botânico, com piscina e cinco quartos. Segundo Stephanie, Eric parecia obcecado por status e influência. Ele a incentivava a se aproximar de pessoas poderosas e frequentava encontros com supostos diplomatas e embaixadores.
Ela também afirma que o companheiro tentava controlar sua aparência e comportamento, sugerindo mudanças no cabelo e na forma como deveria se portar socialmente.
Enquanto Stephanie acreditava viver um “conto de fadas”, Eric passava longos períodos trancado no escritório ou viajando para o exterior sob a justificativa de negociar pedras preciosas.
Com o tempo, o relacionamento começou a revelar um lado sombrio. Stephanie relata que Eric se mostrava ríspido com sua filha e fazia comentários racistas. Em uma das conversas mais marcantes, ele afirmou que não teria se relacionado com ela caso fosse “preta retinta”.
A situação piorou após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Segundo Stephanie, Eric se tornou mais frio, paranoico e obcecado pelas notícias sobre a guerra. Ele defendia abertamente Vladimir Putin e instalou diversas câmeras de monitoramento pela casa, alegando medo de perseguições.
Desaparecimento misterioso
O fim da relação aconteceu de maneira abrupta durante uma viagem de réveillon para Dubai, no fim de 2022. Sem explicações claras, Eric mandou Stephanie voltar sozinha ao Brasil e afirmou que precisava desaparecer.
Nos meses seguintes, ele passou a se comunicar apenas por e-mails e ligações com DDI do Paquistão. Também pediu que ela encerrasse as atividades da joalheria e deixasse a mansão em Brasília.
Em um dos episódios mais surreais da história, Stephanie precisou entregar joias e pertences do ex-companheiro para um desconhecido. O código usado no encontro era a frase: “Você trouxe a ração do cachorro?”.
Pouco depois, Eric afirmou que havia se tornado monge e que desapareceria definitivamente da internet e da vida dela.
A verdade só veio à tona em setembro de 2025, quando Stephanie foi chamada pela Polícia Federal. Durante uma conversa com advogados, ela pesquisou o nome do ex-namorado e encontrou reportagens internacionais revelando que “Eric Fauchere Lopes” nunca existiu. Veja aqui a cobertura do Metrópoles sobre o caso.
Segundo as investigações, ele era Aleksandr Andreyevich Utekhin, um agente da inteligência russa que utilizava identidade brasileira falsa.
O caso fazia parte de uma investigação sobre supostos espiões russos que viveram no Brasil por anos utilizando documentos legítimos obtidos de forma fraudulenta. O país teria sido usado como uma espécie de “berçário” para agentes infiltrados, que construíam vidas aparentemente normais antes de atuar em outros lugares do mundo.
Hoje, Stephanie tenta reconstruir a vida após o trauma. Ela afirma que a maior dor não foi descobrir a espionagem, mas perceber que o homem por quem se apaixonou nunca existiu de verdade.
Após a repercussão do caso no podcast, ela foi às redes agradecer as mensagens de apoio. “Quanta empatia, quantas mensagens lindas. Muito obrigada mesmo. Eu me senti abraçada. Como é uma ferida aberta, ainda mexe muito comigo (….) Mais que um desabafo o objetivo é mostrar como nós mulheres, principalmente as periféricas, estão vulneráveis”, disse.





