“Se algo acontecer, foi ele”, disse mulher antes de ser morta por ex em hospital do DF

Shirley Rúbia, assassinada nessa segunda-feira, teria avisado a familiares que foi surpreendida por Rafael algumas vezes após o trabalho

atualizado 15/09/2020 15:43

Shirley Rúbia

Shirley Rúbia Gertrudes, 39 anos, morta nessa segunda-feira (14/9) pelo ex-companheiro dentro Hospital São Francisco, em Ceilândia, temia pela própria vida. Meses atrás, após o término do relacionamento, a vítima teria dito a familiares que estava sendo perseguida por Rafael Rodrigues Manoel, de 35.

Segundo a irmã de Shirley, Girlene Cristine Gertrudes, 46, a vítima estava saindo do hospital onde trabalhava, na Asa Norte, mais tarde do que o de costume. Em algumas situações, ela teria visto Rafael, de longe, a observando.

“Nos últimos dias, ela tava fazendo um ‘extra’ e saindo muito tarde”, conta a irmã. “Nisso, disse que já tinha visto ele umas duas vezes perto do trabalho e falou que, se algo acontecesse com ela, era para chamar a polícia que seria ele”, detalhou Girlene.

Shirley e Rafael tinham uma filha juntos. Foi durante uma consulta pediátrica que o assassino se aproveitou de um momento de vulnerabilidade da ex e a atacou, pelas costas, desferindo diversas facadas. O crime foi cometido na frente da criança, que tem 4 anos. Depois, o algoz fugiu e cometeu suicídio, dentro de casa, em Samambaia, com um tiro na cabeça.

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Apesar do sinal de alerta, a família de Shirley jamais imaginou que o caso pudesse terminar em feminicídio. “Era muito trabalhador, um paizão”, revela Girlene, ainda surpresa, ao falar do ex-cunhado.

Segundo ela, o desentendimento do casal acontecia por conta dos finais de semana, que “ele gostava de sair, tomar uma cerveja, pescar… o que incomodava muito ela. Então, ela não quis mais”. De acordo com a irmã, o relacionamento acabou em maio deste ano.

Além do luto, a família agora terá de decidir com quem os filhos de Shirley ficarão. A decisão ainda não foi tomada, mas Girlene adianta que, provavelmente, algum tio ou tia deve assumir a tutela dos órfãos, já que os avós maternos são falecidos e, os por parte de pai, têm idade avançada.

Porém, antes dessa ou qualquer outra decisão, será necessário assimilar o ocorrido, o que Girlene ainda não conseguiu fazer. “Perder a irmã caçula deixou um buraco que a ficha ainda não caiu”, finalizou.

O enterro de Shirley Rúbia está marcado para acontecer nesta quarta-feira, às 10h30, no cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.

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