PCGO indicia João de Deus por violação sexual e posse ilegal de armas

Médium disse que armas foram entregues a ele por pessoas que queriam tirar a própria vida. A mulher dele também foi indiciada

Filipe Cardoso/MetrópolesFilipe Cardoso/Metrópoles

atualizado 10/01/2019 12:39

O médium João de Deus e a mulher dele, Ana Keyla Teixeira Lourenço, foram indiciados por posse ilegal de armas nesta quinta-feira (10/1) pela Polícia Civil de Goiás (PCGO). O líder espiritual também foi indiciado por violação sexual mediante fraude. Segundo a delegada Karla Fernandes, os indiciamentos encerram os trabalhos da força-tarefa criada para investigar as denúncias de abuso sexual contra ele.

Conforme contou a delegada Karla Fernandes, em depoimento à polícia João de Deus teria dito que as armas encontradas em seus endereços pertenciam a pessoas que recorreram a ele por estarem dispostas a tirar a própria vida. Outra arma seria de uma mulher que ameaçava matar o marido e a amante. Um dos revólveres teria sido trocado com um garimpeiro.

Durante cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados a João de Deus em Abadiânia e Anápolis (GO), foram encontradas cinco armas, uma delas com a numeração raspada. As pedras preciosas localizadas na residência do líder espiritual serão encaminhadas para avaliação da Polícia Federal.

“Em relação aos abusos, nós também estamos encaminhando inquérito sobre um fato ocorrido em 2016, em que a vítima representou na data correta e reside em São Paulo. Esse inquérito já tinha sido instaurado em agosto do ano passado e está sendo também enviado com indiciamento”, informou a delegada.

 

 

Procurada pelo Metrópoles, a defesa do médium não se pronunciou sobre os indiciamentos.

Réu
A Justiça de Goiás aceitou denúncia do Ministério Público contra o médium João de Deus. Agora, ele é réu por violação sexual e estupro de vulnerável. Centenas de mulheres acusam o líder espiritual de abusos supostamente praticados por ele durante atendimento na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia. Se condenado, a pena pode chegar a 42 anos de reclusão.

A acusação do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) foi feita com base em quatro casos relatados entre abril e outubro de 2018, sendo dois por violação sexual e dois por estupro de vulnerável. Outros 10, que prescreveram, são relatados no documento para ajudar na comprovação do modo de agir do médium. Cinco vítimas também constam da acusação, mas os depoimentos delas precisam de diligências para serem confirmados.

A denúncia foi aceita pela juíza Rosângela Rodrigues dos Santos. João de Deus está preso desde o dia 16 de dezembro do ano passado. A defesa do médium afirmou que ainda não está ciente da decisão. “De qualquer modo, é importante esclarecer que se trata de uma decisão provisória, sujeita à confirmação após a apresentação da resposta à acusação. Estamos serenos e confiamos na justiça”, disse o advogado Alberto Toron.

Em depoimento ao MP sobre as acusações de abuso sexual, João de Deus afirmou não se lembrar das mulheres que o acusam de violência sexual, pois atendia aproximadamente 1,5 mil pessoas por sessão. Também negou ter praticado qualquer tipo de abuso contra suas seguidoras.

Bloqueio de bens
O Tribunal de Justiça de Goiás determinou o bloqueio de R$ 50 milhões em bens do médium. A decisão tem o objetivo de garantir eventuais indenizações. O dinheiro será usado para reparação das vítimas, caso o líder espiritual seja condenado por abusar sexualmente das denunciantes, bem como para evitar ocultação e dilapidação patrimonial.

De todo o valor bloqueado, R$ 20 milhões estariam destinados às mulheres, e R$ 30 milhões iriam para danos morais e coletivos. A medida cautelar foi assinada pela juíza Marli de Fátima Naves e determina que sejam bloqueados os veículos e imóveis não apenas do médium como também da Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia.

Durante 2019, o Metrópoles se dedicará a escrever todas as trajetórias de vida das mulheres que vão sangrar enlaçadas em relacionamentos nocivos. O olhar feminino e sensível das profissionais envolvidas no projeto irão humanizar as estatísticas frias, incapazes de criar empatia. Só ela pode interromper a indiferença diante das agressões à mulher. Um contador em destaque na capa do portal marca diariamente esses casos a fim de lembrar que há um longo caminho para acabar com esse ciclo de violência.

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