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Violência contra a mulher

Mulher é estrangulada por namorado no Réveillon em MG, mas ele não é preso

Vítima desistiu da prisão do namorado após saber que ele poderia ser liberado com pagamento da fiança de um salário mínimo

02/01/2021 14:52, atualizado 02/01/2021 15:43

Uma mulher de 32 anos foi agredida pelo namorado na noite do réveillon, em Varginha (MG). A técnica em segurança do trabalho Gabriela Pessoa foi estrangulada por Wellington Alvarenga, 32 anos, após uma discussão entre o casal na sexta-feira (1º/1). 

De acordo com a vítima, eles saíram para comemorar a virada do ano em um bar na região. Ela conta ao Metrópoles que Alvarenga bebeu cerveja até ficar “alterado”. Após Gabriela pedir para ele parar de beber, o agressor começou a ofendê-la verbalmente e decidiu deixar o local.

Alcoolizado, dirigiu até o condomínio residencial onde ela mora, quando tiveram início as agressões físicas.

Segundo Gabriela, os problemas de Alvarenga com o álcool são frequentes. “Ele achou que eu estava brava, quando, na verdade, eu estava tensa com o que iria acontecer comigo. Ele disse que o nosso relacionamento não ia dar certo e eu respondi que não ficava à vontade quando ele bebia”, diz ela.

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O comportamento do namorado piorou quando ele tentou sair da casa da vítima com o carro, que é dela, e não conseguiu. Alvarenga acusou a namorada de travar a porta do veículo e a pressionou contra a parede, estrangulando-a com o braço direito, contou à reportagem. Eles namoram há dois anos.

O Metrópoles entrou em contato com Alvarenga, que não havia respondido até a última atualização desta matéria. O espaço continua aberto para manifestações.

Fiança de um salário mínimo

Ela se defendeu com unhadas no rosto dele, mas o agressor a empurrou novamente contra a parede e a estrangulou após Gabriela gritar por socorro. A vítima disse que chegou a cair desacordada no chão, mas levantou em seguida para pedir ajuda. Gritou por socorro duas vezes e ouviu uma vizinha repetir os gritos. Ninguém foi até a casa dela. 

Ao sair do apartamento, Gabriela afirmou que ia “expor Wellington para os amigos dele no Facebook”. Ele, entõa, entrou na frente para impedir que ela descesse as escadas e a jogou mais uma vez contra a parede. Gabriela se desvencilhou do agressor e, desesperada, correu aos gritos até o porteiro. Nesse momento, Alvarenga voltou ao apartamento e se trancou.

A vítima tentou ligar repetidas vezes para o 190, mas a ligação não completou em 20 minutos de tentativa. Ela acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e solicitou uma viatura. Gabriela fez um boletim de ocorrência na 2ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Varginha, mas o namorado não chegou a ser preso. O caso foi registrado como lesão corporal.

“Os policiais me perguntaram se eu queria seguir com a denúncia. Ele seria preso, mas poderia pagar uma fiança para ser liberado. Perguntei de quanto era [o valor] e me disseram que era um salário mínimo (R$ 1.100). Eu desisti porque achei que seria um gatilho para ele vir atrás de mim e me matar.”

Depois da agressão, Gabriela bloqueou os contatos do namorado. No entanto, ele continua a mandar mensagens para ele por meio de contas fake pedindo perdão “por tudo de mal” que fez. Em seu depoimento, Alvarenga negou as agressões.

Registros de agressão anteriores

Essa não é a primeira vez que Gabriela Pessoa presta queixa contra Wellington Alvarenga. Em 2019, entre setembro e outubro, ela registrou dois B.O.s na cidade de Extrema (MG), configurados como lesão corporal e ameaça. Na ocasião, a vítima não pediu medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha.

“Depois de um rodeio, ele dirigiu comigo até a Serra do Lopo, um ponto muito alto onde a estudante Larissa Gonçalves de Souza foi morta, e eu pensei que ia ter o mesmo fim dela. Ele começou a entrar na trilha, me joguei para fora do carro, e ele me empurrou de volta. Me enforcou lá mesmo”, recorda Gabriela.

A vítima terminou o namoro, mas deu uma segunda chance a ele três meses depois. O ex disse que estava em tratamento contra a alcoolemia e “apresentou melhora”.

Agora, Gabriela teme novamente pela própria vida. “Estou preocupada com a minha própria segurança. Queria ir a um hospital fazer corpo de delito, mas não tenho coragem. Ele conhece meu carro, só Deus sabe o que ele pode fazer comigo. Ele e eu saímos pela mesma porta da delegacia, livres e soltos.”

Mulher é estrangulada por namorado no Réveillon em MG, mas ele não é preso