Autor de feminicídio no DF teve mandado de prisão expedido horas antes do crime

Geovane Geraldo Mendes da Cunha, 44 anos, deveria cumprir pena em regime semiaberto por processo de violência doméstica contra a vítima

atualizado 12/01/2021 23:05

Reprodução

Cerca de sete horas antes de cometer o feminicídio contra a professora aposentada Marley de Barcelos Dias, 54 anos, o funcionário da Companhia Energética de Brasília (CEB) Geovane Geraldo Mendes da Cunha, 44, teve um mandado de prisão expedido pela Justiça do DF. A decisão foi anunciada às 19h50 e o autor do crime foi visto às 3h entrando no condomínio onde a vítima morava.

Geovane deveria cumprir pena em regime semiaberto por um processo de 2015 que foi movido pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) por violência doméstica contra Marley. Na época, a professora acabou retirando a primeira de duas medidas protetivas que pediu, por ter reatado o relacionamento, mas a denúncia feita pelo órgão público acabou tendo prosseguimento.

O cumprimento da pena poderia ter se iniciado ainda em junho, mas, diante da pandemia da Covid-19, a expedição do mandado de prisão foi postergado. Em setembro, houve uma nova análise do caso e, mais uma vez, a possibilidade do encarceramento ficou para uma nova data.

A defesa de Geovane chegou a pedir que a pena fosse cumprida em casa, alegando problemas com dependência química, o que foi rejeitado pela Vara de Execuções Penais (VEP) em 28 de dezembro de 2020, quando a juíza Leila Cury pediu para que o mandado de prisão fosse expedido com urgência. O advogado do réu foi informado da medida no dia seguinte.

O destaque de cima mostra data e hora em que foi expedido o mandado de prisão de Geovane enquanto que o logo abaixo é referente à decisão da prisão do criminoso

Duas semanas após a sentença ordenando o início do cumprimento da pena, o mandado saiu nessa segunda-feira (11/1), mas não foi cumprido a tempo de evitar a morte de Marley. No site do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) ainda é possível ver que nesta terça-feira (12/1), mesmo após o suicídio de Geovane, o documento foi publicado no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP).

Assassino cercado

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que Geovane usou a própria arma para se matar após ter sido perseguido pela polícia, em São Gabriel (GO).

As imagens flagraram a tentativa de fuga do criminoso por uma plantação. Em determinado momento, Cunha desacelerou o veículo, que parou por completo poucos metros a frente. Logo atrás, viaturas da PMGO que seguiam em seu encalço também pararam. Policiais desceram e deram ordem de rendição. Segundos depois, o eletricista disparou com um revólver contra a própria cabeça.

O filho da professora aposentada contou à polícia o que viu na madrugada desta terça na casa da família, localizada na Quadra 4, Conjunto B, no Condomínio Império dos Nobres, em Sobradinho.

Discussão

De acordo com o jovem de 23 anos, Geovane pulou o muro da residência da família. Segundo ele, houve um princípio de discussão. O rapaz ouviu o barulho e pegou uma moringa de vidro para se defender, momento em que o suspeito fez um disparo à queima-roupa contra a vítima. Marley caiu na cozinha da casa e, logo em seguida, o suspeito disparou mais duas vezes contra ela.

Logo depois, Cunha fugiu no veículo de Marley Dias. A testemunha detalhou que o criminoso chegou ao local com o carro da irmã.

A mulher, que sofreu perfuração de arma de fogo na região torácica, não apresentava sinais vitais quando os bombeiros chegaram à residência dela. Marley já havia registrado ocorrências de violência doméstica contra o homem. De acordo com o filho da vítima, as medidas protetivas estavam em vigor.

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