Shampoo de cavalo para uso humano: expert explica riscos da prática
Segundo a terapeuta capilar Mari Borges, poucas pessoas discutem (ou sabem) sobre os malefícios do uso de shampoo de cavalo por humanos
atualizado
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Na segunda-feira (4/5), a médica-veterinária e influenciadora Raylane Diba Ferrari, de 29 anos, foi presa em Campo Grande (MS), suspeita de vender shampoo de cavalo para uso humano. Segundo relatos da própria jovem, ela chegou a comercializar mais de 20 mil unidades do produto. O uso desse tipo de produto por humanos pode trazer uma série de riscos para os fios, entre eles, ressecamento extremo, irritação e descamação.
Autoridades locais revelaram que Raylane mantinha um pet shop no Bairro Universitário. No estabelecimento, os produtos — sendo o shampoo de uso veterinário o mais comercializado — eram armazenados.
Em seguida, os itens eram anunciados na internet e enviados para diversas regiões do país. De acordo com a veterinária, os produtos divulgados ajudavam no crescimento e fortalecimento capilar.
Raylane Diba Ferrari foi solta na terça-feira (5/5) após pagar fiança de R$ 4,8 mil.
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Perigos da prática
O caso levantou um debate sobre os riscos do uso de produtos veterinários em humanos. Ao Metrópoles, a visagista e terapeuta capilar Mari Borges explica que muita gente ainda acredita que usar shampoo de cavalo faz o cabelo crescer mais rápido, ficar mais forte ou mais brilhoso. Porém, poucas pessoas falam sobre os riscos reais dessa prática.
“O couro cabeludo humano tem um pH completamente diferente do couro cabeludo dos animais. Os shampoos veterinários são formulados para limpar uma pele mais espessa, com maior oleosidade e necessidades totalmente diferentes das nossas”, explica a profissional.
Como resultado, o uso contínuo pode causar ressecamento extremo, irritação, descamação, coceira, sensibilidade e até efeito rebote de oleosidade.

Além disso, alguns desses produtos possuem concentrações muito agressivas de agentes de limpeza e ativos que podem comprometer a barreira natural do couro cabeludo.
“Quando essa barreira é prejudicada, o fio também sente: perda de brilho, quebra, toque áspero e um cabelo cada vez mais sem vida“, alerta a expert em cabelos.
Segundo Mari Borges, ter cabelo saudável não resulta de “receitas milagrosas”. “Isso acontece com o diagnóstico correto, tratamento adequado e produtos desenvolvidos especificamente para a estrutura do fio humano”, conclui.
