Vivi Wanderley e Juliano Floss: polêmica gera alerta sobre saúde mental
Exposição de suposto relacionamento abusivo de influenciadores acende alerta sobre saúde mental e a espetacularização do amor
atualizado
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A recente exposição pública do antigo relacionamento entre os influenciadores digitais Vivi Wanderley e Juliano Floss trouxe à tona um debate urgente sobre a saúde mental dos jovens na internet. Para além das fofocas de celebridades, o caso ilustra como a imaturidade emocional da juventude e a pressão por engajamento nas redes sociais podem criar um ambiente propício para dinâmicas abusivas e tóxicas.
Segundo especialistas, quando a vida privada é convertida em métrica de audiência e lucro, romper ciclos de violência psicológica torna-se um desafio ainda mais complexo.
Entenda
- Cérebro em construção: na juventude, a área cerebral que controla os impulsos ainda não está madura, fazendo com que o ciúme e o controle sejam perigosamente confundidos com “prova de amor”.
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Abuso bidirecional e reativo: em casais jovens, a toxicidade pode ser mútua. Enquanto o lado masculino foca no controle físico e social, o feminino pode usar chantagens e a própria internet como punição.
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O relacionamento como produto: a cobrança dos fãs pelo “casal perfeito” gera estresse. Terminar significa perder contratos e engajamento, aprisionando os jovens em fachadas comerciais felizes.
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Caminho para a autonomia: a superação de traumas amorosos no meio digital exige desconexão das redes, terapia profissional e uma rede de apoio familiar que independa da fama.
“Tempestade perfeita” do amor digital
Analisar relacionamentos abusivos envolvendo figuras públicas jovens é se deparar com um cenário delicado. De acordo com a psicóloga e sexóloga Alessandra Araújo, o fenômeno funciona como uma “tempestade perfeita” que une a biologia da adolescência, a explosão hormonal e a vitrine de perfeição cobrada pela internet.
Alessandra lembra que na juventude, o córtex pré-frontal — região do cérebro responsável pelo julgamento crítico — ainda não está totalmente formado. Sem repertório de vida e maturidade, os jovens tendem a confundir intensidade com intimidade e não sabem estabelecer limites saudáveis. O resultado é a possessividade vista como exclusividade e términos encarados como o fim do mundo.
Além disso, a especialista ressalta a necessidade de quebrar o estigma de gênero no que tange à toxicidade em namoros juvenis, uma vez que ela costuma ser cíclica:
“O lado masculino frequentemente se manifesta por controle, intimidação e monitoramento de roupas. Já o feminino pode surgir através de chantagem emocional, isolamento e uso das redes para expor o parceiro. É o abuso reativo, onde ambos se destroem sem saber quem começou”, pontua Alessandra.
Quando amar gera lucro
De acordo com a especialista, quando o namoro de dois criadores de conteúdo vira uma marca de marketing, a privacidade é sacrificada. Sob a pressão dos “shippers” (fãs que torcem pelo casal), os jovens fingem estar bem para não perder patrocinadores ou seguidores. O tribunal da internet vigia curtidas, comentários e interações diárias, alimentando a paranoia e o controle mútuo.
Os sinais de alerta, segundo Alessandra, nesse meio são camuflados por desculpas profissionais, mas possuem grande potencial destrutivo. A sexóloga elenca as principais táticas de opressão no universo dos influenciadores:
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Isolamento profissional: impedir o parceiro de gravar com determinados criadores ou ir a eventos de trabalho sob o pretexto de “proteger a imagem do casal”.
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Gaslighting digital: fazer transmissões ao vivo ou postagens para desmentir publicamente os sentimentos ou a versão da vítima, fazendo-a duvidar da própria sanidade.
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Cárcere das senhas: exigir senhas de redes sociais e realizar curadoria autoritária do que o outro pode ou não publicar, ferindo a autonomia de trabalho.
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Coisificação da imagem: tratar o parceiro como um ativo financeiro, forçando-o a performar felicidade em vídeos curtos para manter métricas de alcance altas.

Silenciando as notificações
Para quem vive sob os holofotes, o processo de cura exige coragem para colocar o “eu” antes do “nós” e, principalmente, antes do “post”. Para recuperar a saúde mental e a paz, a psicóloga sugere uma desconexão real do barulho virtual e o fortalecimento de amizades e laços familiares que não dependam dos números da fama.
A busca por terapia profissional é indispensável para separar o que é trauma real do que é apenas falta de maturidade biológica. Afinal, o verdadeiro amadurecimento reside no poder de dizer não a um amor que custa a saúde mental.










